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na ressaca do são valentim
rosas
innersmile



NÃO INVENTES

Não venhas cá com merdas. Não inventes.
Não olhes nos meus olhos. Sai apenas.
E poupa-me aos discursos eloquentes
e às farsas do adeus. Não faças cenas.

Não digas que lamentas ou que a vida
às vezes é assim: que tudo esquece;
que o mundo e o tempo curam qualquer ferida.
Repito, meu amor: desaparece.

E leva o que quiseres de tudo quanto
um dia suspeitámos partilhar:
os livros, as esculturas em pau-santo,
os discos, os retratos, o bilhar.

Não deixes endereços. Por favor:
eu quero é que te fodas, meu amor.


- José Carlos Barros, O USO DOS VENENOS (Língua Morta)

Lido (e ouvido) no blog http://ler.blogs.sapo.pt/
(http://ler.blogs.sapo.pt/um-poema-de-jose-carlos-barros-1065434)

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