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i, daniel blake
rosas
innersmile
I, Daniel Blake é indubitavelmente, e como a generalidade da obra de Ken Loach, um filme político, de esquerda, com um forte cariz social, que nos fala da forma como o Estado, no cumprimento das suas obrigações de Estado Social, utiliza os procedimentos burocráticos para se desonerar desse cumprimento, com total desconsideração para com aqueles que, no princípio de tudo, constituíram a razão fundamental para a sua construção, a saber os mais necessitados, os que tudo perderam, os que nada têm. Um problema que não é só britânico, como o saberão todas as pessoas que, directamente ou através de familiares ou amigos, já contactaram com os tortuosos caminhos da segurança social ou do instituto de emprego, particularmente absurdos quando estão em causa pessoas com 50 ou 60 anos que, na voragem da crise económica, se viram de repente desapossados dos empregos de uma vida.

Mas é no melodrama que serve de suporte a essa mensagem que o filme se supera, acho eu, com uma enorme eficácia narrativa, e, ao mesmo tempo, uma subtileza delicada e um profundo humanismo na maneira como olha as personagens e os seus dramas de vida. Trata-se de facto de um filme muito comovente, mas essa comoção vem de sabermos como a vida real pode ser trituradora e de como todos somos demasiados frágeis para corrermos o risco de um dia aquela ser a nossa história.

É justo salientar o contributo do actor Dave Johns para a eficácia do filme, num trabalho em que a contenção dá crédito e verosimilhança à personagem, e o humor tranquilo mas acutilante lhe dá humanismo e veracidade.
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5 estrelas para o seu comentário a este magnífico
filme. Retrato de uma sociedade cada vez mais desumana.
Mas a solidariedade neste filme também é tocante.
Bom domingo.
Maria Franco

muito obrigado pelo seu comentário Maria.
é tão bom termos retorno daquilo que escrevemos, bem-haja

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