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12 de dezembro
rosas
innersmile
No dia 12 de dezembro de 2014, ao final da manhã, tive de levar a minha mãe a uma consulta de oncologia médica. Como ela tinha tido uma queda no dia 4 (o mesmo dia em eu soube que tinha uma recidiva e tinha de ser novamente operado à bexiga) e deixado de andar, chamei uma ambulância para a levar. O médico acho estranho ela não conseguir andar e pediu um exame de raio-x que confirmou a minha pior suspeita, o colo do fémur estava fracturado. O médico disse ainda que não podia fazer mais nada enquanto a minha mãe não fosse observada pela ortopedia, e por isso chamámos a ambulância para a levar para o serviço de urgência do hospital. Estive sempre com ela e, após algumas horas e mais exames radiológicos, o especialista de serviço chamou-me para me dizer que propunha que a minha mãe fosse operada à anca. Eu disse-lhe que tinha muitas dúvidas que a minha mãe aguentasse uma cirurgia dado o estado avançado da sua doença oncológica. Propus-lhe ligar à médica que a acompanhava, para se inteirar melhor da situação clínica da minha mãe. Fiz a chamada e passei-lhe o telefone. Foi então que ouvi pela primeira vez, por entre as frases entre-cortadas do diálogo, a confirmação de que, naquela altura, a esperança de vida da minha mãe era inferior a três meses. Depois de desligar o telefone, o ortopedista olhou-me com um olhar de uma intensidade que eu nunca mais esqueci, e disse-me: “se fosse a minha mãe, eu levava-a para casa e dava-lhe muito conforto e todo o amor”. Foi isso que eu fiz, mas só durante mais umas semanas, pois ainda antes do natal a minha mãe teve de ser internada nos cuidados paliativos, e morreu, de facto, menos de três meses depois. De vez em quando, sempre que me lembro disto, dá-me vontade de chorar tudo o que não chorei nessa tarde.

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Chore, pois. Ninguém há de te tirar ou censurar esse direito.

Sinto muito. Estava a ler o teu texto e o meu coração ficou bem pequenino. Frágil.

Chora, é por isso que temos as lágrimas. Uma fuga do que sentimos quando a palavras não são ditas nem escritas.

Abraço

obrigado meu caro, abraço

percebo-te bem. abraço forte

grande abraço, obrigado

Chora e chora sempre que te apetecer.

Abraço apertado.

não tenho alternativa, Carla
grande abraço

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