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heart with no companion
rosas
innersmile
Tem sido um ano muito triste para a música popular, com a morte de nomes tão marcantes, não só da nossa condição de ouvintes, mas das nossas vidas (se bem que também tenha sido um ano celebratório com o Nobel entregue a Bob Dylan, reconhecendo que a música popular é também criadora de arte e cultura de grande significado humanístico). Sou de uma geração em que o principal alimento, o fuel que nos deu energia e mundo na juventude, não foi a literatura ou o cinema, mas a música. Crescemos a ouvir música, música popular, canções pop e rock, as nossas grandes referências são esses músicos e artistas que ouvimos desde sempre e sempre, através da vida toda.


Um dos discos que ouvi intensamente no Verão de 1977, o dos meus quinze anos, foi a compilação de Leonard Cohen, um greatest hits, que trazia algumas das melhores e mais conhecidas canções de Cohen: So Long Marianne, Suzanne, Bird On A Wire, Famous Blue Raincoat, Who By Fire, entre outras. Foram canções que ficaram comigo para sempre, que definiram gosto e referência musicais, ou até mais do que isso, uma certa disciplina, quase um culto.

Depois, já em Coimbra, um dos meus amigos de adolescência comprou o Death of a Ladies Man, um disco que foi mal amado pelo público, pela crítica e pelo próprio Cohen, mas que é um disco que eu adoro, ouvi muito, muitíssimo, e as suas canções permanecem quase intactas na minha jukebox mental. Gostei daquela mistura improvável entre o lado sombrio e íntimo de Cohen e a música celebratória e um pouco paranóica de Phil Spector, e acho que o disco tem assim uma espécie de perigosidade, de iminência de maldição, que me excita e seduz. É muito difícil destacar uma ou duas canções deste disco, amo-as todas, conheço-as tão bem, dizem-me tanto, quer no sentido de que que são importantes para mim, como no de que dizem muito acerca de mim.


Various Positions e I’M Your Man foram os dois outros discos de Cohen que ouvi muito e cujas canções ficaram comigo para sempre. Dance Me to The End of Love foi, na altura, a canção mais ouvida do primeiro disco, mas seria Hallelujah que ficaria com uma suas das canções mais populares, provavelmente a que mais versões inspirou a outros artistas. Mas Various Positions tem outras canções eternas, como If It Be Your Will ou Heart With No Companion. I’m Your Man é igualmente um disco de grandes canções, como a clássica First We Take Manhattan, Tower of Song ou Ain't No Cure for Love.


As canções de Leonard Cohen, não apenas as suas letras mas as canções em si, cantadas pela sua voz ou mesmo em versões brilhantes que conheceram na voz de outros músicos, as canções de Cohen, diziam são assim uma espécie de livro sagrado, de enciclopédia da alma humana, nos seus aspectos mais sombrios mas também nos mais luminosos, na sua imensa e ilimitada capacidade de amar, mas também na sua desesperante inabilidade para o amor, no carácter superior da sua relação com deus, mas também na quase insuportável solidão dessa relação.



"HEART WITH NO COMPANION

Now I greet you from the other side
Of sorrow and despair
With a love so vast and so shattered
It will reach you everywhere

And I sing this for the captain
Whose ship has not been built
For the mother in confusion
Her cradle still unfilled

For the heart with no companion
For the soul without a king
For the prima ballerina
Who cannot dance to anything

Through the days of shame that are coming
Through the nights of wild distress
Though your promise count for nothing
You must keep it nonetheless

You must keep it for the captain
Whose ship has not been built
For the mother in confusion
Her cradle still unfilled

For the heart with no companion
For the soul without a king
For the prima ballerina
Who cannot dance to anything

Now I greet you from the other side
Of sorrow and despair
Ah with a love so vast and so shattered
It will reach you everywhere

And I sing this for the captain
Whose ship has not been built
For the mother in confusion
Her cradle still unfilled

For the heart with no companion
For the soul without a king
For the prima ballerina
Who cannot dance to anything"

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For the heart with no companion
For the soul without a king
For the prima ballerina
Who cannot dance to anything


tão bom este texto, obrigada.

obrigado Margarida, bem-hajas

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