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ODISSEIA, de Homero. Cotovia.
Momento de ouro na edição livreira cá do jardim, esta tradução de Frederico Lourenço, que já se tinha mostrado como romancista. FL restitui à Odisseia o prazer de ler, e de ler versos simples e belos, em português, e que preservam sempre o sentido épico e o sentido fundador desta aventura. Um livro incontornável em absoluto.

BIOFAGIA, de Pedro Sena-Lino. Quasi.
O terceiro livro do PS-L e, imho, o seu melhor. O livro lê-se como uma biografia e versos tingem-se de lirismo. Conheci o PS-L há uns anos, e gostava de restabelecer o contacto com ele, mas há um indesmentível prazer em ler assim à distância alguém que nós conhecemos.
"(...)os dias são fantasmas sem sentido/ e as noites sem palavra que as cubra."

ALGUMAS LETRAS, de Adriana Calcanhotto. Quasi.
Não gosto muito deste tipo de livros que se propõem recolher à forma de livro palavras feitas para serem cantadas. Os poucos que tenho, comprei-os porque, na altura em que o fiz, eram a forma mais adequada (e muitas vezes a única possível) de aceder à letra das canções. Este livro da AC tem a vantagem de conter inéditos, textos críticos e fotos. A razão porque o comprei foi mesmo porque gosto muito da AC, e porque queria ver as fotos. A Quasi editou também um do Caetano, estive com ele na mão, mas decidi-me a não comprar: era caro e eu já conheço a quase totalidade das letras. Mas agora sinto-me um traidor por não o ter comprado. Ainda lá volto...

PASSO TUDO PELA REFINADORA, de Laurinda Bom. Notícias.
Reúne, de forma espontânea ou organizada, respostas de Alexandre O’Neill a entrevistas, nomeadamente uma, inédita, com a autora do livro. Tem ainda fac-similes do poeta e fotos de algum trabalho gráfico. Quando se ama profundamente uma poesia, todas as razões são mais que boas para conviver com ela assim por dentro.

CARTAS DE VENEZA, de Robert Dessaix. Gótica.
Já aqui pus uma citação do livro, e tenho mais em stock! Porque este é um daqueles livros que se lê (e ama) de forma pessoal, íntima, quase como se tivessem sido escritos só para nós, à nossa medida. RD é australiano e neste relato de viagens disfarçado de romance disfarçado de caderno de notas disfarçado de ensaio sobre a doença disfarçado de divertimento ligeiro disfarçado de colectânea de contos, ou tudo ao contrário, ensaia uma viagem à Europa, em direcção a Veneza, que mais do que uma viagem de auto-revelação, de auto-descoberta, é sobretudo uma viagem de exposição, como se, contaminado por dentro, ao narrador não restasse outra via que a de se deixar infectar por tudo aquilo a que os sentidos se disponibilizam e entrega. Um livro fascinante, daqueles que entram em definitivo para a nossa bagagem de viajantes improváveis.
Tags: calcanhotto, livros
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