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até pensei
rosas
innersmile
Stop the press! Que disco magnífico, este Até Pensei Que Fosse Minha, que o António Zambujo fez com dezasseis canções do Chico Buarque. Um domínio tão perfeito do seu instrumento, permite a Zambujo apropriar-se das canções, recriá-las com tanta originalidade e propriedade, que, mesmo nas canções mais icónicas de Chico, como Cálice, a voz do seu criador original praticamente se dissipa perante o canto delicado, subtil, mas tão poderoso, de Zambujo (até mesmo quando o próprio Chico participa na gravação, como no caso de Joana Francesa).

Mas dizer isto não é apoucar as canções perante o seu intérprete. Pelo contrário, só grandes canções, como são praticamente todas as de Chico Buarque, têm esta capacidade de permitirem aos seus recriadores este trabalho de apropriação. É o que acontece, por exemplo, com os grandes standards, e é por isso que eles se chamam assim. E o facto é que nestas versões de Zambujo, as canções de Chico soam ainda maiores do que já sabíamos.

Á voz e às canções somam-se, neste disco maravilhoso, os arranjos e a direcção musical de Marcello Gonçalves, e a própria execução musical. Marcello assegura ainda o violão de 7 cordas, e tem uma execução perfeita. Mas há mais, como por exemplo o clarinete de Anat Cohen, que sempre que aparece transforma-se assim numa espécie de discreto protagonista.

É um disco fabuloso mesmo, que tem versões definitivas de canções como Cálice ou o dueto sensual com Carminho em O Meu Amor. Das gravações do disco disponíveis no YouTube, escolhi precisamente O Meu Amor, porque é das mais espectaculares de um disco cujo tom geral é muito mais discreto, e também porque permite escutar bem o violão de Marcello e o clarinete da Anat Cohen.

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