miguel (innersmile) wrote,
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the rose tattoo



Sempre que tenho um hematoma, uma nódoa negra como se dizia antigamente em linguagem doméstica, lembro-me da velhinha canção da Suzanne Vega que fala em “observe the blood, the rose tattoo of the fingerprints on me from you”, apenas uma passagem impressionante de uma letra toda ela fabulosa, fortíssima, de uma canção imorredoira, Marlene On The Wall, uma das primeiras da carreira de Vega, creio que do seu primeiro disco, e que mantém hoje toda a frescura e todo carácter surpreendente e instigante das primeiras audições.

De qualquer forma, e só para desfazer qualquer dúvida, esta marca não foi de quaisquer fingerprints, mas das tentativas de injectar um contraste radioactivo na minha corrente sanguínea para fazer um exame médico.

Não gostava de pensar que as fotos que ponho no instagram e que de alguma maneira se referem aos meus infortúnios de saúde fossem um exercício de exposição, tout court, e ainda menos com qualquer intenção de chocar ou impressionar os outros (se bem que possivelmente tenha exagerado com uma foto que pus, ainda quando estava hospitalizado, do cateter enfiado na jugular!)

Todas as fotos que ponho, aqui ou no instagram, ou seja onde for, resultam sempre do impulso de “guardar” o momento, aquele em que o mundo que passa pelos meus olhos se detém a impressionar-me, a pedir-me para não o deixar desaparecer logo a seguir, a fazer o seu fade out na vida e na memória. Assim uma espécie de: naquele momento, era assim o mundo que eu via.

Ou seja, e o que vai dar ao mesmo mas melhor dito na canção de Suzanne Veja, era assim que o meu mundo era quando Marlene o olhava lá do quadro pendurado na parede.

Tags: caro diario, fotos, música
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