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(no subject)
rosas
innersmile
Ontem à noite li no livro do Padura este trecho: “A ameaça permanente resultante da deterioração física de Carlos fazia com que Conde se comportasse com uma avareza doentia na sua proximidade com o velho amigo, a quem dedicava todo o tempo possível, consciente de que fazia o melhor dos investimentos para o vazio de um futuro cujo prazo de chegada se tornava cada vez mais curto”.

Experimentei muitas vezes este sentimento, de que precisamos guardar os momentos que passamos com aqueles que amamos acima de tudo, porque um dia vamos precisar deles para nos compensar do vazio da sua ausência. Um dia, há muitos anos, escrevi mesmo um texto ou um poema que falava só sobre isto, e que terminava assim: “Felizes, por um momento, na sombra que nos resguarda do vazio lá de fora, eu e tu. Quero também guardar este sorriso. Porque um dia, quando estiver frio, vou precisar dele para me aconchegar.”

Não consegui encontrar este texto aqui no meu diário, mas, graças à saudosa Amélia Pais, encontrei-o no seu blog ‘Ao Longe os Barcos de Flores’, e noutros que o transcreveram a partir do site da Amélia. Mesmo sem nunca nos termos encontrado, que extraordinário e orgulhoso presente ela me deixou.

Ontem perdi uma pessoa que nos últimos sete ou oito anos me deu tantas coisas boas. Conheço-a desde sempre, desde que cheguei a Coimbra, mas só a partir de 2009, quando a minha mãe fracturou o cólo do fémur, e ela me ajudou a gerir as coisas em casa dos meus pais, a nossa relação se estreitou, num convívio diário, primeiro (durante quase três anos ela dormiu todas as noites em casa dos meus pais), e depois quase diário.

Ajudou-me de todas as maneiras. Tomando conta da situação, quando ela era maior do que a minha coragem ou as minhas capacidades. Apoiando-me sempre nas decisões mais difíceis e solitárias que tomei. Acompanhando sempre sempre a minha mãe, tornando-se uma das pessoas mais próximas da minha mãe. E foi sem dúvida a pessoa que mais me consolou. Mais de uma vez bati-lhe à porta de casa, sentei-me do sofá, e chorei copiosamente, até conseguir pronunciar uma palavra.

E já depois da morte da minha mãe, continuou sempre ao meu lado. Foi a pessoa que mais me acompanhou nas visitas que semanalmente fiz ao meu pai. Fazia-me bolos, partilhava comigo as tigelas de sopa que preparava para a sua família, dava-me conselhos, e encorajava-ma, encorajava-me em tudo que eu partilhava com ela, e fazia-o da forma como só a minha mãe fazia.

Uma tarde, semanas depois da morte da minha mãe, íamos os dois de carro para Condeixa, ver o meu pai, e ela disse-me a coisa mais importante e bonita que alguém me disse acerca da minha mãe. E que era uma coisa que não dizia respeito à minha mãe ou a mim, mas a ela própria, e é maravilhoso nós sabermos que alguém que nós amámos tanto, foi igualmente tão amada por outros.


É impossível pensar que apenas dezassete meses depois da morte da minha mãe, e cinco do meu pai, tu, que tinhas idade para ser minha irmã, te foste embora, com uma doença tão fulminante que te levou em menos de dois meses. E por um momento quero acreditar na alma e na eternidade. E que ontem, apesar de tudo, e do desgosto que sentiste por teres de deixar para trás os teus filhos e os teus netos, foi uma felicidade quando vocês as duas se encontraram lá no céu. E agora que estão juntas, eu estou mais descansado.

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Sim, agora estão juntas. Acredito nisso.

Que bonito, Miguel.
Um abraço.

desde 25 de junho/2015 todos os dias choro copiosamente...este texto é tão belo, mesmo doendo...caramba

lindas, as tuas palavras. um abraço.

dor e muito amor

(Anonymous)
Nem quero acreditar meu querido Miguel que estás de novo a passar por uma dor tão grande!!
Um beijo grande, meu querido Miguel. Vamos até à varanda onde nos encontramos num tempo sem tempo!

Olá a todos! O Miguel está internado com uma crise hipertensiva. Na unidade coronária não é permitido ter o tlm ligado por isso ele está incontactavel.
Se quiserem deixar-lhe aqui mensagens, eu transmito-lhe, dado que trabalho no hospital e vou vê-lo todos os dias.
Obrigada, Maria João

Olá Maria João, o Bruno manda um forte abraço para ele.

Bom-dia Miguel!... Bem sei que "aquela" varanda que partilhaste com a Madalena(?), é um espaço demasiado pessoal que o tempo, não obstante a sua vocação, não foi capaz de arrumar a um canto da memória.

Por via disso, também porque a imagino suficientemente pequena para que nela caibam todos quantos, agora, desejariam superar os obstáculos que se acumulam entre o silêncio e a distância, limito-me a deixar-te um abraço, acreditando que não tardará muito até que nela retomes o teu lugar.

Ah!... Nessa altura, talvez te apeteça escutar - e recordar - os "pavlog's dog". :)

A varanda estica em situações especiais e cabemos muitos, todos. ... Miguel! Miguel!
Beijinhos. Madalena

Maria João, dê-lhe um bj e abraços e que desejo-lhe as melhoras, logo estará de pé-
festas ao Juju e tudo vai melhorar, temos de ter forças.

Dê-lhe também um beijinho meu.... Obrigada. Madalena

Maria João leve um enorme abraço meu ao Miguel. Espero que ele esteja francamente melhor.

A tensão do Miguel já está normal e as dores de cabeça melhoraram muito mas continua psicológicamente muito em baixo. Leu as vossas msg e finalmente vi-lhe um sorriso! Se ele continuar sem tlm vou dando notícias e continuo a dar-lhe a ler vossas msg. Obrigada pelo vosso apoio, Maria João

Meu querido amigo Miguel, já passou, mas que susto que eu apanhei. Desejo te rápidas melhoras. Sabes que temos combinado o nosso encontro em Lisboa com a amiga Margarida. Força amigo.
Cara Maria João agradeço que entregue um abraço meu ao Miguel. Obrigada. Um bj. Lídia

Isso mesmo, Lídia. :)
É difícil encontrar as palavras certas depois de tudo o que passaste, Miguel, mas estamos todos aqui e um dia destes vais voltar a escrever sobre os teus sobrinhos-netos e sobre tudo o resto e estaremos aqui à espera.
e vais voltar à minha terra para apontares novamente:'mas é um frangipani' :)
bjs. anime-o, Maria João :)

Beijinhos! As melhoras depressa!

Miguel, aceite um forte e saudoso abraço de além-mar. A vida tem exigido muito de nós. Mantenha a fé a esperança, lembra da felicidade tua no mar azul do Sal, sentimento que pode te dar algum conforto.

Olá a todos! o Miguel está melhor, já pode usar o tlm e tem net no
quarto. Assm já está ligado ao mundo e está cheio de vontade de conversar!
Muito obrigada pela vossa ajuda que também foi muito importante para mim nos momentos mais críticos da doença.
Bjs, Maria João


Obrigada, Maria João! Foi muito reconfortante a sua presença junto do Miguel e junto de nós! O que é preciso agora é ficar bem, completamente bem! O Miguel tem força interior e "up above" há quem reclame o uso dessa força herdada da minha nossa querida Arlete! Miguel, quando puderes vem até à varanda!!! Beijinhossss

Olá Miguel
É preciso muita força para ultrapassar estes contratempos na vida. É neste desafio permanente tu vais sendo um vencedor. Desejamos muito que fiques bem, e depois havemos de arranjar um tempinho para matar saudades. Recebe um beijo enorme e votos de rápidas melhoras. Lídia.
Mais uma coisa, agradece à Maria João, pelo bem que nos fez ao ser a tua mensageira. Deve ser uma pessoa excepcional.

Olá, Miguel
No sábado passado liguei-te para conversarmos e vi que tinhas o tlm desligado. Estranhei não me teres contactado depois, como costumas fazer.
Agora, só agora sei a razão. Espero que as tuas melhoras sejam rápidas e seguras e agradeço à tua amiga Maria João o apoio que te tem dado.
Abraço grande.

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