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outro ulisses regressa a casa
rosas
innersmile


Há muito tempo não comprava um livro de poemas. Ultimamente, leio pouca poesia, e, quando o faço, são releituras dos poetas de sempre. Mas um destes dias ouvi, no rádio do carro, uma pequena entrevista com Luís Filipe Castro Mendes a propósito da publicação do seu livro Outro Ulisses regressa a casa, com a leitura do poema que dá título ao livro (e que eu pus aqui ontem) e gostei tanto que tive vontade de comprar o livro.

Gostei muito dos poemas. São simples, curtos, muito evocativos, atravessados por uma melancolia e um desencanto que sou capaz de reconhecer, mas ao mesmo tempo são optimistas ou pelo menos apaziguados. Achei, e digo isto sem peneiras, muito parecidos comigo, poemas que eu não me importaria de ter escrito. Muitos deles refletem uma certa sensação de desenraizamento, de quem está habituado a largar casas e lugares (o que não é o meu caso), e a maior parte deles resulta de reflexões sobre a própria poesia, sobre a necessidade da escrita, e os seus paradoxos.

O autor é diplomata de carreira, e neste momento desempenha as funções de ministro da cultura. Refiro-o, apenas, porque estes poemas são o mais anti-ministeriáveis possível, e tenho de admitir que isso me surpreendeu; assim do género, como é que a pessoa que escreveu isto pode ser ministro, pode exercer funções políticas! Estes poemas estão tão longe de tudo aquilo que consideramos serem caracteristicas de quem está na política, e nem digo isto com qualquer sentido pejorativo; mas um político tem de ser (ou deve ser) um tipo que gosta do poder, pragmático, racional, com uma perspectiva muito positiva da vida para poder ter visão e ambição de futuro. E nada disto está presente nestes poemas, se há alguma coisa que os marca é até um certo desancanto, uma melancolia, como já referi. Ou seja, já fiquei a admirar um tipo que é capaz de estar na política, mas cuja visão da vida continua preservada naquilo que lhe é essencial.

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os poemas já estavam escritos antes de ele tomar posse? não cheguei a perceber. agora a publicação nesta altura parece-me corajosa.
como leio o blogue o embaixador Seixas conhecia-o, e também li uns jornais online, mas nunca aprofundei, de facto, as suas edições.

(o g+ só serve para uma coisa: entrar no teu blogue, quando me esqueço da pass do LV).

não sei quando foram escritos, mas os poemas, alguns deles, reflectem a vida profissional, aquela coisa de mudar de casa constantemente, de deixar coisas para trás.
o que eu mais gostei neste poema que pus ontem, é a evocação da infância através dos atlas: alguns dos meus fascínios também nasceram das horas a contemplar mapas, na infância :)
ele já tem uma série de livros publicados, acho que publica poesia desde os anos 80

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