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the bfg, the man who knew infinity
rosas
innersmile
Para compensar das semanas (ou meses) sem ir ao cinema, este fim de semana vi dois filmes.

The BFG (O Amigo Gigante) é a adaptação que Steven Spileberg fez de uma história de Roald Dahl, e o que mais me surpreendeu e encantou foi o carácter literário do filme. Apesar de não conhecer a obra de Dahl, percebe-se que este filme nasce de um enorme fascínio tanto por uma história como pela sua narrativa, e de uma grande vontade de lhe dar um carácter visual, mas sem nunca perder a ligação ao lugar onde ela nasceu, a palavra escrita, e lida, num livro. É, talvez por isso, um filme que sabe a pouco spielberguiano, mas isto não pretende ser uma crítica ou um elogio; até porque a fita mantém temas que são caros ao realizador, e mantém uma vocação de narrativa clássica que cada vez mais marca os seus filmes.

Já conhecia a história do inglês G.H. Hardy, um dos maiores matemáticos do século XX, e da sua ligação ao indiano Ramanujan, um génio da matemática de extracção não académica, por causa do livro The Indian Clerk, uma ficcionalização muito livre da sua história, da autoria de David Leavitt, e que foi um dos meus livros preferidos desse que é um dos meus autores predilectos.

Não podia por isso deixar de ir ver o filme The Man Who Knew Infinity (O Homem que Viu o Infinito), a adaptação que o realizador Matt Brown fez da biografia de Srinivasa Ramanujan, o escriturário de Madrasta que, apesar de quase não ter formação académica em matemátuica pura, foi capaz de avançar com propostas e soluções suficientemente sólidas e arrojadas para chamar a atenção de um dos maiores académicos de Cambridge, o professor G.H. Hardy.

Tal como acontecia com o romance de Leavitt, também o filme se dedica sobretudo a explorar a relação complexa entre os dois homens, mas não resiste a reduzir-se quase a uma história de superação, não tanto pessoal, mas sobretudo académica e política, com o meio de Cambridge a reagir com desconfiança ao suposto pretenciosismo de um colonizado inculto e subalterno que pretendia trazer respostas que a casa de Newton não era capaz de produzir. Dev Patel e Jeremy Irons são dois excelentes actores que, juntamente com o proverbial talento inglês para as reconstituições históricas, em especial no que diz respeito ao universo de Oxbridge, tornam a visão deste filme agradável e interessante.

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também sou um completo ignorante, e tenho pena, porque aquela abstracção toda é fascinante :)

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