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#eusougay
rosas
innersmile
Vamos lá ver se me consigo explicar bem: de certa forma, o atentado que foi levado a cabo numa discoteca gay na cidade de Orlando, no estado norte-americano da Florida, não me choca mais do que outros ataques do mesmo género que têm ocorrido por esse mundo fora.

Num certo sentido, e tenho a noção de que estou a escrever com pinças, para não ser mal interpretado, o ódio que leva alguém a disparar indiscriminadamente sobre um grupo de homossexuais que está a dançar, não me é mais incompreensível do que o que leva alguém a disparar sobre pessoas numa esplanada, num estádio de futebol, num aeroporto internacional, ou num lugar de culto.

O facto de ser homossexual não me torna mais sensível ao horror quando as suas vítimas são homossexuais como eu. Não sou mais Orlando, do que Paris ou Charlie ou Niger ou outra coisa qualquer. De resto, e tendo em atenção que o atentado ocorreu numa discoteca na Flórida onde estava a decorrer uma noite latina, faz com que, tanto ou mais do que a comunidade gay, a tragédia toque de forma muito particular a comunidade hispânica dos Estados Unidos.

Os crimes de ódio são tão absurdos como o terrorismo, de fundamentação política ou religiosa ou seja do que for. A verdadeira face do horror não muda, em função da raça, da nacionalidade, da religião, ou da orientação sexual das suas vítimas.

Mas há um aspecto nesta tragédia que ocorreu numa discoteca da Flórida que me entristece, e angustia e até ofende: uma espécie de indiferença ou distância emocional. Claro que as redes sociais se encheram de manifestações de solidariedade, mas nada de comparável ao que aconteceu noutras ocasiões. Talvez o mundo ainda esteja a acordar para a dimensão desta tragédia, mas, pelo menos que eu me tenha apercebido, os media não se encheram de luto e horror. Nomeadamente em Portugal, onde as aventuras futebolísitcas e a versão Costa e Marcelo do Sr. Feliz e Sr. Contente enchem os noticiários e os sites dos jornais.

Espero que isto não signifique que para a maioria das pessoas, e para os media e quem manda neles e nas suas políticas editoriais, que há vítimas de primeira e vítimas de segunda. Espero que, onde todos foram #charlie, agora não haja preconceitos em serem todos #gay. Porque pior do que o ódio declarado e assumido dos extremistas, é o ódio manso e contemporizador dos indiferentes.
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Meu querido Miguel, não tenhas ilusões, vai demorar séculos até que a sociedade respeite a pessoa, com tudo o que a define, na sua individualidade. O preconceito é uma coisa horrível. E deixas de ser maravilhoso, e até afastado, quando te apontam como" gay".
O teu artigo devia ser publicado no jornal.
Mas a sociedade vai evoluindo, tenhamos esperança.
Um beijo enorme. Lídia


que pena o pretexto ser tão triste, Lídia, mas é um prazer muito grande voltar a ter comentários teus aqui. tenho saudades :)

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