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oh happy days
rosas
innersmile
Quando estou assim muitos dias sem vir aqui escrever, normalmente é porque ando lá fora, a viver a vida. Nos últimos tempos, infelizmente, tem sido pelas mais tristes razões. Mas na semana que passou, foi pelas melhores. O Eduardo veio de lá de São Paulo para me visitar e trouxe-me prendas: alegria, descontracção, tranquilidade, e sobretudo uma sensação de partilha e comunhão que eu já me tinha habituado a esquecer. Por breves dias, pus de parte esta solidão que nos últimos anos tenho tomado por adquirida, adormeci os medos e as angústias (não fiz de conta que elas não existem, adormeci-as mesmo). Foi bom perceber que ainda sou capaz de aceitar o que a vida me oferece de extraordinário.

Podia ensaiar um itinerário. Passeámos por Coimbra, mas sem a urgência distraída dos turistas, antes com a languidez de quem colhe da cidade o que precisa. Subimos à serra da Estrela e à Cruz Alta do Buçaco, e demos à expressão ‘ponto alto’ a ambiguidade dos seus vários sentidos. Visitámos castelos de infantas felizes e jardins de improváveis budas, mosteiros onde um rei e uma rainha aguardam o seu tempo, e conventos onde mulheres se transformaram em santas. Viajámos no tempo e regressámos com tempo. Partilhámos encontros extraordinários, escritos contra a aleatória improbabilidade das histórias, e vivemos momentos intensos de amizade, à volta de uma mesa ou na plateia de um teatro.

Tudo isto, repito, na estreita suspensão de uma semana. Entre as vidas de antes, as que recomeçam, e as que agora se iniciam, ao som do rumor brando dos milagres longínquos.

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A sequência de dias mais absolutamente perfeita que me recordo de ter tido na vida! Graças quase completamente a você. O que faltar é graças ao gato e aos demais amigos de Coimbra, Moçambique e de Lisboa.

Um verdadeiro Encontro!

Que em teoria não deveria surpreender, pelo fato de todos sabermos o quanto você é supimpa, foi muito, muito mais do que eu jamais teria suposto!

Quero voltar! Já!!

o gato agradece. está cheio de mimo. e de saudades :)

Miguel, este é um dos textos mais lindos e perfeitos que já escreveste.

e tê-lo partilhado contigo, Margarida, foi muito bom.

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