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cabo verde 1/8
rosas
innersmile


18 março

Estar aqui na Ilha do Sal, à noite, sozinho, num resort, pode não parecer mas já é uma conquista.

Pela primeira vez em muito tempo, saí de casa sozinho (com algumas ajudas, sobretudo por causa da falta de auto-confiança), com tudo o que isso implica quando se trata de uma viagem aérea: carregar mala, esperar de pé em filas, percorrer corredores quilométricos.

A viagem correu bem. Conheci uma nova companhia aérea, a TACV: serviço competente, sem luxos asiáticos, ou melhor, africanos.

À chegada uma surpresa desagradável: não tinha o transfer à espera para me trazer para o hotel. Fiz uma chamada e veio a solução: apanhei um táxi - 20 euros do aeroporto até ao hotel. O Cassiano, o motorista, propôs-me fazer um tour pela ilha por 50 euros.

O hotel, o Oasis salinas, é grande, mas não é gigantesco. Apesar de estar em regime APA, dado o adiantado da hora (o voo chegou uma hora atrasado), jantei aqui no hotel.

O wi-fi é óptimo, já enviei uns mails, vi o meu gato no instagram. Que saudades do gato, como é que eu vou conseguir dormir sem o ter deitado na almofada, junta à minha cabeça?

Estou sempre a lembrar-me de telefonar à minha mãe. Não me habituo à ideia de que estou sozinho de facto, de que não tenho ninguém a quem telefonar a dizer que cheguei bem.
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eu já te disse isto alguma vez? não sei, já disse? recordo-me sempre de tu ligares à tua mãe lá no quarto do hotel e dizeres o nome dela.

Margarida, não me faças chorar :')

não tinhas dito. e que bom teres dito

fui a Itália no Verão passado e em Florença deu-me um ataque de choro compulsivo porque o meu namorado recebeu um telefonema da mãe a perguntar se estava tudo bem (como já tinha acontecido várias vezes na viagem, mas não sei porquê nesse dia atingiu-me mesmo) e dei por mim a sentir que já não tinha ninguém a quem dizer que "cheguei", que estava a comer em condições, que sim, tinha cuidado com isto ou com aquilo... aquelas coisas que a minha mãe dizia e perguntava. ao ler o último parágrafo do teu post lembrei-me desse episódio (no meio de outros parecidos...).

os meus pais biológicos são de Cabo Verde e essa é uma viagem que a minha Mãe queria fazer comigo. às vezes julgamos que temos tempo no futuro para fazer certas coisas e depois percebemos que não. mas gostava de ir um dia, espero que a vida não me troque as voltas ;)

eu adorei Cabo Verde, foi um caso de amor.

estou a passar por uma fase muito confusa emocionalmente. parece que me agarro mais à memória da minha mãe para ajudar a viver a perda do meu pai.

E não é interessante o fato de a aeronave que fez teu voo Lisboa/Sal ter sido a mesma que fez o meu Fortaleza/Sal? De certa forma nossa viagem começou juntos desde o princípio, apenas com uma pequena diferença de horários.
Decerto que faz falta não ter a quem avisar que chegamos bem. É nessas pequenas coisas que sentimos falta de nossos pais; vejo que não era por obrigação, mas por carinho, por pertença.

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