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passos perdidos



Duas personagens, uma mulher e um homem, perseguem-se e fogem um do outro pelos lugares do mundo. Pouco enredo, poucas peripécias, mas duas personagens densas que dão a este livro o pretexto narrativo. A maior parte do resto são ensaios, sobre lugares, sobre arquitectura, sobre história de arte, sobre história, que se vão desenrolando e cruzando com os destinos das personagens ao longo da larga deambulação que encetam por cidades, ilhas ou continentes. Muito do melhor são reflexões, são dúvidas, são descrições, de lugares imaginados ou imaginários, são debates, internos ou não, são intervenções do autor no passado e no destino das personagens.

Para além da colecção de crónicas Ouro e Cinza, é o segundo livro de Paulo Varela Gomes que leio. E enquanto Era Uma Vez Em Goa era um travelogue inventado, um livro de viagens escrito por um personagem ficcional, Passos Perdidos é um falso romance. Mas as personagens são tão fortes, é tão intenso o seu mistério e o seu desejo, que é atrás de Anna W. e de C. Brandon (o acrónimo WC só pode ser mais um sinal do instigante sentido de humor do autor) que seguimos, como, de resto, em certos trechos, é o próprio autor, acompanhado da sua mulher e dos seus amigos, que nos conduz. Dizer que Paulo Varela Gomes testa os limites da ficção (ou ao contrário, de géneros literários bem tipificados) parece pouco e demasiado árido para o fulgor narrativo dos seus livros.
Tags: livros, paulo varela gomes
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