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josino eduardo, naná vasconcelos
rosas
innersmile
Penso que terá sido no verão de 2002, num concerto no Coliseu de Lisboa por ocasião do lançamento do cd Noites do Norte. Um concerto, tal como o disco, muito marcado pela percussão, em sintonia com o tema dominante do álbum, a escravatura e o seu papel decisivo na formação de uma identidade brasileira; a justificar a presença de uma bateria de quatro percussionistas em palco. Às tantas, Caetano chama para a frente de palco dois deles, para dançarem o samba: Josino Eduardo e Eduardo Josino. Foi um arraso, um daqueles momentos de um concerto que nunca se esquecem.

No fim de semana passado, vi no instagram de Caetano a notícia triste: num acto de violência, num bar da noite de Salvador, os irmãos gémeos foram baleados, e um deles, Josino Eduardo, foi morto. Eu sei que é um pouco assim por todo o lado, mas não há como, por vezes, evitar uma tristeza profunda e revoltada por esta violência desesperada que marca a dimensão do crime ligado ao tráfico de droga no Brasil. E lastimar o enorme desperdício que estas mortes significam: se não for outro, o da beleza intensa e incendiada dos dois irmãos a dançar num palco de Lisboa.

Já no final da semana, a notícia de outra morte, também no Brasil, também de um grande músico, outro percussionista. Naná Vasconcelos, um musico genial que, através de uma longa e profícua carreira, tocou com todos os grandes nomes da música, sobretudo do jazz. Não tenho nenhum disco de Naná Vasconcelos como bandleader, mas de Caetano Veloso a Paul Simon, Ryuichi Sakamoto ou Brian Eno, são inúmeros os álbuns em que participou, fazendo ainda parte integrante da discografia de músicos tão decisivos e importantes como Milton Nascimento, Egberto Gismonti, Pat Metheny ou Jan Garbarek.

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