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hail caesar
rosas
innersmile
Há uma história num dos livros antigos do Woody Allen sobre a prostituta de Mensa: uma rapariga que se aluga à hora para ir discutir filosofia e literatura com os seus clientes. De certo modo a carreira dos irmãos Coen tem sido construída nessa mesma base, criando ficções que lhes permitam discutir géneros cinematográficos com os seus espectadores.

Na sua génese Hail Caesar tem uma ideia tão boa como os melhores filmes dos Coen: em plenos anos 50, ainda na época dourada de Hollywood, um produtor, especialista em resolver problemas para o estúdio onde trabalha, tem de dar assistência a todas as produções em curso: um filme histórico de ressonâncias bíblicas, um western à melhor maneira de Lone Ranger, um melodrama com figurinos de época, um musical com marinheiros, and so on. Este dispositivo permitiria aos Coen levar um pouco mais longe aquilo que eles sempre fazem nos seus filmes: falar de cinema e de filmes.

Hail Caesar está construído com o rigor a que estamos habituados nos filmes dos Coen, caracteristica que lhes dá sempre um tom cerebral, de uma certa frieza um pouco distante. E sendo um filme de argumentistas, está cheio de ideias muito divertidas, a começar pelo facto de os maus da fita serem um grupo de argumentistas de inspiração marxista. O problema é que para o filme resultar em pleno tinha de ter um humor destravado e excessivo, tinha de ser sempre muito cómico, o que está longe de acontecer. De certo modo, Hail Caesar sofre do pior dos males: quer ser uma comédia, tem ideias surpreendentes, mas não tem muita graça. Não obstante, o filme consegue, por vezes, fazer lembrar alguma da boa tradição da comédia norte-americana: eu lembrei-me das comédias de Mel Brooks, e de um filme velhinho de Steven Spielberg muito ignorado, o 1941.

Para além da reconstrução do ambiente dos estúdios dos anos 50, e das marcas das produções da época, aspectos em que é evidente o virtuosismo dos Coen, a parada de estrelas de Hail Caesar é uma das mais valias do filme: se, para falar com franqueza, o George Clooney já esteve melhor no registo de comédia (basta lembrar O Brother Where Are Thou?, só para não sairmos dos filmes dos Coen), o cast inclui as presenças de Josh Brolin, Frances McDormand, Ralph Fiennes, Scarlett Johansson, Tilda Swinton, Jonah Hill, Channing Tatum, entre muitos outros.

Estive ali a contá-los, e dos 17 filmes que os Coen realizaram (Joel ou Joel & Ethan), só não me lembro de ver 3, e em relação a 1 tenho dúvidas, acho que o vi mas não me lembro. Dos 5 filmes que escreveram, mas não realizaram, só vi 1.
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por falar em argumentistas de inspiração marxista, não percas o Trumbo. Bryan Cranston é excelente (e está nomeado para um oscar), secundado por um excelente trio de actrizes, como a bela Elle Fanning, irmã da Dakota, claro.

o trailer deste filme dos Coen não me seduziu muito, confesso.

que ver se não o perco, sim. tenho muita curiosidade em ver o filme.

Vi o trailer a achei uma certa piada, gostava de o ver, em casa, não é filme que me leve a uma sala de cinema.

eu não gosto muito de ver cinema em casa. dá-me (ainda mais) sono

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