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45 years
rosas
innersmile
Tal como já acontecia em Weekend, e de certa forma também na série de Tv Looking, 45 Years vem comprovar que Andrew Haigh tem uma maneira muito expressiva, e tão eloquente como silenciosa e minimalista, de filmar a intimidade, aquela que é feita de gestos e silêncios, de hesitações e ternura, de dúvidas e cumplicidades.

Mas de certa forma este 45 Years é o verso de Weekend; se neste filme Haigh nos falava das hipóteses de o amor verdadeiro surgir na mais efémera e transitória das circunstâncias, agora conta-nos a história de um velho casal (ou de um casal de velhos) que, nas vésperas de comemorar 45 anos de casados, vê a inabalável certeza do afeto e da cumplicidade que os liga abalada, de forma que dir-se-ia irreparável (se bem que os filmes de Haigh têm sempre espaço e folga para o espectador reconstruir as histórias à sua vontade), pelo regresso de uma antiga namorada que está morta há quase 50 anos.

Muito do fascínio do cinema de Haigh passa pelo olhar muito particular da câmara, pela forma como ela se perde nos actores e na paisagem, nos detalhes ou nos grandes espaços. Mas vem igualmente de diálogos tremendamente bem escritos, e, no caso deste 45 Years, do trabalho absolutamente deslumbrante de dois actores: Charlotte Rampling e Tom Courtenay. E se Courtenay é exemplar a dar corpo a um homem em queda acelerada, dilacerado pelo envelhecimento e pela doença, e por uma confusão emocional que lhe é completamente inesperada, Charlotte Rampling é a verdadeira força do filme, é nela que repousa o essencial da história, aquilo que no filme é mais luminoso mas também mais sombrio e doloroso.

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2 vezes eu o vi e 2 vezes adorei :)
como bastam 2 actores para encher o ecrã e como o haigh filma tão bem a vida e está tudo dito.
engraçado que foram 2 filmes que fui ver 2 vezes ao cinema nestes anos, este e o reverso desta história (só os amantes sobrevivem), mas tendo o amor como tema fulcral.

não sei se o irei ver de novo, pelo menos para já, porque nesta altura há muitos filmes para ver. mas que é daqueles filmes que se vêem e revêem vezes sem conta, isso é :)

eu ia 2 vezes ao mesmo filme quando gostava muito dos filmes e queria que a minha mãe visse.

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