?

Log in

No account? Create an account

Previous Entry Share Next Entry
o melhor que posso
rosas
innersmile
Excelente entrevista com a artista plástica Ana Jotta, na edição de 12 de fevereiro do Ipsilon, o suplemento das sextas-feiras do Público. Tenho ideia de ter visto uma exposição de Ana Jotta em Serralves, há muito tempo, ainda antes de haver o museu de Siza Vieira, e as exposições serem na casa, que é magnífica; eu ía muitas vezes à Casa de Serralves só pela possibilidade de visitar e percorrer aquela jóia da arquitectura arte nova.

Destaco uma passagem do texto da entrevista, que me impressionou. Depois de contar a sua rotina diária, que passa por acordar às sete, trabalhar toda a manhã, e terminar com uma ida diária ao cinema por volta da uma da tarde (”Às quatro deito-me. Leio, vejo televisão, arrumo. Não durmo, mas encerrei.”) e de expressar o seu pessimismo em relação à raça humana, condenada pela máquina repressora que criou (considerando-se uma gata sem dono: ”Não é uma gata vadia, é uma gata sem dono”), a entrevista encerra com estas terríveis e assustadoras, mas luminosas palavras:

”O [galerista] Nabinho fica sempre muito chocado quando lhe digo que não gostei nada que me tivessem feito. Se me tivessem perguntado se eu queria cá vir eu tinha dito: «Não quero». Não quer dizer que esteja triste ou magoada ou zangada por estar a viver. Vou estar cá a fazer o melhor que posso com isto. Mas se me tivessem perguntado eu tinha dito: «Não!». Tinha dito: «Vão fazer outra coisa». O Nabinho acha: «Esta não gosta de viver». Não é nada disso. E se não quisesse estar cá tinha bom remédio. Mas preferia não ter vindo. Acho uma brutalidade porem uma pessoa neste mundo. Eu não punha.
(...)
O que sim está em Cassandra [exposição actualmente em exibição na Culturgest do Porto] é um recorte onde se lê: «movo-me apenas o suficiente para que ninguém me tome por morto antes da minha hora»”