miguel (innersmile) wrote,
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the hateful eight

Dos filmes de Tarantino pode-se sempre dizer como Woody Allen disse do sexo, que é como a pizza: quando é bom é muito bom, mas quando é mau é bom na mesma. The Hateful Eight não será o melhor Tarantino, mas é um filme muito divertido, filmado com aquela dose de megalomania própria do realizador, escrito com sumptuosidade, e sobretudo que, como é habitual nos seus filmes, respira um conhecimento e uma paixão imensa pelo cinema.

Claro que há sempre várias maneiras de olhar para as coisas, e este regresso ao western, a um dispositivo narrativo e a actores que evocam o primeiro filme de Tarantino, Reservoir Dogs, pode ser visto como um sinal de carência criativa. Ou então podemos olhar para The Hateful Eight como mais um exercício às voltas das obsessões de sempre do realizador, da sua cinefilia compulsiva, do seu gosto irónico mas um pouco cândido sobre a agressividade confrontacional e a violência de tons gore.

Por mim, não me queixo. Três horas de diálogos divertidos, de truques e malabarismos, de uma banda sonora, como sempre, majestosa (original de Ennio Morricone), de planos e sequências de grande vistuosismo, de exercícios narrativos surpreendentes e eficazes; tudo isso, para mim, é mais do que suficiente.
Tags: cinema
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