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anomalisa
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Fui no fim de semana ver Anomalisa, um filme de animação realizado por Charles Kaufman e por Duke Johnson. Trata-se claramente de um projecto de Kaufman, que escreveu o argumento, e que se insere naquela cena um pouco paranóica que é a sua marca autoral. O recurso à animação (stop motion) permite a Kaufman criar um cenário em que todas as pessoas têm o mesmo rosto e a mesma voz, com o actor Tom Noonan a dar voz a todas as personagens, com excepção dos protagonistas, Michael (voz de David Thewlis) e Lisa (voz de Jennifer Jason Leigh).

O filme é um prodígio de técnica e narrativa, se bem que, na minha opinião, lucrasse se fosse uns quinze ou vinte minutos mais curto. Mas a envolvência que cria, a eficácia do abismo emocional de Michael, o carácter hipnótico dos diálogos, tudo isso faz com que consigamos quase esquecer que estamos a ver um filme de animação, aceitando o jogo do psico-drama, dos mind games, com a mesma dose de fascínio e perturbação que nos habituámos a experimentar no cinema de Kaufman, de quem Anomalisa é o segundo filme. Não vi o anterior, Synecdoche, NY, que não tenho ideia de ter sido exibido por cá, mas, claro, tenho muito presentes os filmes para os quais escreveu argumentos inesquecíveis, como Being John Malkovich?, Adaptation ou Eternal Sunshine of The Spotless Mind.
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