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né ladeiras, quarentuna
rosas
innersmile
Logo ao início de janeiro, o concerto do ano! Foi na sexta-feira, dia 8, no auditório do conservatório de Coimbra, um concerto gratuíto, cortesia da junta de freguesia de Santo António dos Olivais (a minha freguesia, já agora). Na segunda parte actuou a Quarentuna que, como o nome indica, é uma tuna de quarentões, cujo repertório tenta recuperar a música popular de Coimbra de raízes históricas, ensaiando alguns cruzamentos e referências de outras músicas, em paerticular da clássica.

Mas o que tornou esta noite verdadeiramente memorável foi o regresso de Né Ladeiras aos palcos, depois de alguns anos de ausência. Acompanhada de um conjunto de músicos professores da Academia de Música de Coimbra (fixei, entre outros, o nome de João Vila) Né apresentou apenas cinco canções, já conhecidas do seu rerpertório: dois temas de Fausto (Ao Longo de Um Claro Rio de Água Doce e Lembra-me Um Sonho Lindo), um tradicional de Trás-os-Montes, a Balada da Fiandeira, de Rui Veloso, e, mesmo a meio da apresentação, Argila de Luz, da Banda do Casaco, que Né cantou acompanhando-se à viola. Só este momento teria valido por um ano inteiro de canções.

Foi fantástico. A Né é uma cantora absolutamente extraordinária, possivelmente a voz mais bonita e mais bem dominada da canção popular portuguesa, e que permanece intacta, como sempre a conhecemos. Mas a Né é mais do que uma cantora, é uma música, pluri-instrumentista, e tem uma presença em palco cativante. Foi uma emoção enorme, ouvi-la e saber que estávamos a participar num momento único, especial.
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«...que Né cantou acompanhando-se à viola. Só este momento teria valido por um ano inteiro de canções.»

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Curioso como, numa simples frase, conseguiste transmitir - foi assim que o senti!... - o aconchego daquele instante em que, lá fora, ficou a tempestade. Dentro de casa, ao lado de um sorriso, apenas o crepitar da lenha na vagarosa quietude da lareira.

foi isso mesmo. aquela sensação de que o mundo à volta desaparece, a cantora canta e toca só para ti, e vives o momento como se só ele existisse, como se existisse para sempre.

como aquele verso do soneto do Vinícius: que seja infinito enquanto dure.

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