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memorial de aires
rosas
innersmile


Mais uma vez começo o ano a ler Machado de Assis. É, creio, a quarta vez consecutiva (e o quinto livro do autor que leio). Desta vez Memorial de Aires, o seu último romance, escrito em forma de diário, mantido por um diplomata aposentado que vai anotando as peripécias sociais e românticas que se vão desenvolvendo no seu círculo de relações pessoais.

Um enredo quase mínimo, sem grandes tensões ou conflitos, mas uma narrativa magistralmente tecida, e uma escrita perfeita, ponteada de humor e ternura. Mais uma vez, como acontece em quase todos os seus livros que li, Machado de Assis consegue ser irónico e mesmo mordaz em relação às normas e convenções sociais (ainda que não tento neste como noutros romances), e ao mesmo tempo terno para com as suas personagens.

Tratando-se do último romance do autor, é um exercício impressivo sobre o envelhecimento vivido por dentro, ou seja por quem está a envelhecer. Para além do par romântico, as personagens do Memorial são velhos e velhas, uns mais doces, outros mais sofridos, uns reconciliados, outros amargos, mas todos eles tocados pela melancolia própria de quem já viveu as suas aventuras e agora se dedica a rememorá-las.

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