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deus sabe quanto amei
rosas
innersmile
Nas noites de sábado do segundo canal da RTP estão a passar uma série de filmes com o Frank Sinatra. Claro que eu vejo, a posteriori, na box, e normalmente em suaves prestações, porque me dá o sono. Os próximos (hoje e na próxima semana) são dois musicais que eu já vi, mas que mesmo assim devo rever: Um Dia em Nova Iorque e High Society, dois filmes de que gosto imenso.

Mas nunca tinha visto o primeiro filme que passou a semana passada, Some Came Running, que em português levou o título, um pouco anódino mas que soa bem, Deus Sabe Quanto Amei; que não é um musical, apesar de ter sido realizado por um realizador que quase só fez filmes musicais e era famoso por isso: Vincent Minnelli (que, já agora, foi marido da Judy Garland e pai da Liza Minnelli).

Trata-se de um melodrama, produzido em 1958, e que, além de Sinatra, tem nos papeís principais Dean Martin (o primeiro filme conjunto dos dois Rat Packers por excelência) e uma muito jovenzinha Shirley MacLaine. O filme é espectacular, não só pela brilhante realização de Minnelli, pela utilização dir-se-ia quase arquitectónica do CinemaScope, sobretudo nos interiores, como também pelo tema, ainda que um pouco datado.

Logo numa das cenas iniciais vemos Sinatra a desfazer a sua bagagem de militar, e arrumar um molho de livros: Faulkner, Steinbeck, Hemingway, Thomas Wolf, foram os que eu identifiquei. Esta selecção como que marca logo o programa do filme, diz-nos logo ao que ele vem, que vamos olhar para a América, e qual a América para que vamos olhar.

A história do filme roda à volta da personagem de Sinatra, um escritor em crise de criatividade que regressa à sua cidade natal, e das personagens que o rodeiam: o irmão, que tem uma joalharia e tem um caso com a secretária, a mulher e a filha deste, uma jovem susceptivel às tentações adolescentes; uma professora por quem Sinatra se apaixona e o seu pai; e os amigos que faz na cidade: um jogador profissional, que nunca tira o chapéu, e uma rapariga que vive dos engates (para não usar o termo prostituta, que é demasiado antipático para uma rapariga tão leve como Miss MacLaine).

A vida destas pessoas, e a relação entre elas, é marcada por duas ou três coisas, sendo a principal delas o sexo e o desejo. É, digamos, um filme sobre o cio, e os efeitos devastadores que ele pode causar numa cidade pequena do midwest norteamericano (o filme passa-se no estado do Indiana). Outra coisa que marca a vida das personagens é o passado, por um lado, os traumas não resolvidos do passado, e as incertezas do futuro por outro, o não saber muito bem a maneira como o futuro pode ajudar a resolver, ou não, as complicações do presente. É ainda um filme marcado pelo vício: Sinatra e Dean Martin dedicam-se ao jogo, toda a gente bebe litradas e litradas de álcool, e fuma-se que nem fábricas da revolução industrial.
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não vi o da semana passada, mas vi alguns do Ozu, do ciclo anterior a este do sinatra. pura sorte, vi alguns dos que falhei no nimas, há uns anos (2?) como o tempo passa...
faria 100 anos o sinatra.

(suaves prestações... :P )

gravei os do Ozu na box, mas ainda não vi.

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