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paulo de carvalho
rosas
innersmile
Fui ontem assistir ao concerto de Paulo de Carvalho nas quintas do Conservatório de Coimbra. Muito bem acompanhado pelos músicos Victor Zamora, piano, Tiago Oliveira, guitarra, Leo Espinosa, baixo, e Joel Silva, bateria, PdC revisitou mais de 50 anos de uma carreira cheia de sucessos e de belas canções, que a opção por arranjos jazzisticos ajuda a realçar. PdC é um cantor extraordinário (muita voz e muita experiência, um músico notável, e um excelente autor de canções. E tudo isto é quanto baste para fazer um concerto interessante, animado e com franca adesão do público.

Agora, independentemente disso tudo é um chato presunçoso e paternalista, quase a atingir o limite do insuportável, e, sob uma capa de descontracção amistosa, trata o público como se ele fosse atrasado mental. Ainda não tinha cantado uma única nota, já estava a dizer que não esperássemos só aquelas canções antigas que todos estávamos à espera, porque a vida faz-se das coisas novas, voltadas para a frente. E exemplificou, ridicularizando duas das suas canções de maior sucesso: os meninos do Huambo e a Nini dançava só para mim; ok, o concerto terminou precisamente com, tcharan!: os meninos do Huambo e a Nini!

Mas não só. Da hora e meia de canções que desfiou, apenas identifiquei uma canção nova, vá lá, duas: uma do seu trabalho mais recente, e que eu conhecia de ouvir na rádio (ao contrário do que PdC afirmou, a rádio passa música portuguesa, pelo menos a que eu ouço, que é a Antena 1), e outra que fez com o filho (o rapper Agir) para uma novela. Atenção, não me estou a queixar, gostei do alinhamento do concerto, o PdC tem, como já disse, canções belíssimas que foram apresentados com arranjos estimulantes e que ele canta de maneira soberba. Mas então para quê o discurso até um bocado amargo, em relação ao público e, bem vistas as coisas, até em relação ao próprio artista e ao seu património musical!

Mas é evidente que nada disto é muito relevante, e que o que é verdadeiramente importante é o que vai dito no primeiro parágrafo, porque foi disso, da boa música feita por um músico que merece muito respeito e admiração, que foi feito o concerto.
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eu gosto dele como artista. como pessoa não muito. julgo que foi no ano passado que ele cantou em s. bento, nas comemorações do 25 de abril, (vi um pouco na TV e não gostei, o aspecto dele, enfim, e mudei de canal.) acho que está a envelhecer muito mal.

é impossível não gostar, quer da voz dele (talvez a melhor de todas), quer de algumas canções. mas é como dizes, está a envelhecer mal, sobretudo na acrimónia :/

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