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perguntem a sarah gross, uma década queer
rosas
innersmile


Aquilo que para mim é mais extraordinário neste livro é a capacidade de construir uma narrativa romanesca a partir das experiências limite (tão fora da ficção como, aliás, da própria não ficção) da vida dos judeus sob o nazismo e dos campos de concentração. Este plano narrativo,que nos é apresentado num crescendo acelerado de intensidade e crueza, como que está resguardado por um outro plano narrativo, ambientado a uma escola norte-americana nos anos 60, que tem de certa maneira uma dupla função: a de nos proteger, enquanto leitores, da natureza insuportável do olhar sobre o horror nazi, e a de oferecer um contraponto de sobrevivência a essas experiências da barbárie.

Do ponto de vista da estrutura narrativa, o livro é quase perfeito (há apenas um desenvolvimento que me parece irrelevante); a linguagem é simples e envolvente, e o romance tem uma qualidade cinematográfica evidente.




O título é auto-explicativo:cinquenta entrevistas, realizadas entre os anos de 2004 e 2014, a outras tantas personalidades, portuguesas ou estrangeiras, com relevo naquilo a que poderíamos denominar por cultura queer, realizadas por um dos jornalistas nacionais que mais trabalho tem desenvolvido e publicado na temática LGBT. Ainda que algumas entrevistas estejam de certa maneira reféns do período em que foram realizadas (estou a lembrar-me, por exemplo, da que tem como protagonista Antony Hegarty), o ponto é que quase todas são actuais e, mais importante, têm de facto qualquer coisa de relevante a transmitir. O livro está organizado por temas, que vão do activismo às questões do corpo e do género, com particular ênfase no mundo da literatura, das artes e da cultura em geral. Trata-se de uma obra útil e indispensável a quem se interessa pelo tema, ou pelas personalidades entrevistadas.

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acho que daria um excelente filme, tem uma narrativa cinematográfica excelente e ele escreve muitíssimo bem. acertei no passado do velhote, muitas páginas antes do fim, o que não foi uma surpresa, dado o desenvolvimento da história.
o segundo livro ainda não li, tenho uns quantos sacados para colocar no kobo, mas a preguiça... e o monte de livros ali ao lado...

sem dúvida. eu gostei mais da história de Auschwitz. e achei a história do assédio de que a K foi vítima um bocado irrelevante, não achaste? a dos incidentes racistas no colégio também não me pareceu muito importante, mas pronto, vá lá, agora a do assédio, acho que não acrescenta nada de importante a um romance já de si tão rico e intenso.

exacto, esse assédio desde o início que me pareceu frágil, mas o autor queria criar uma ligação entre as duas mulheres.
o racismo também me parece de descartar, são personagens secundárias, os alunos e o tio. numa série de tv, num filme, contudo, seriam núcleos a desenvolver :) como referi antes, este livro tem tudo para passar à tela.

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