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henning mankell

Morreu ontem o escritor sueco Henning Mankell, um dos autores mais distintivos do romance policial nórdico, e criador de um dos meus heróis favoritos da literatura policial, o inspector Kurt Wallander. Li oito dos dez livros da série, o último dos quais, Um Homem Inquieto, era um romance ainda mais triste e pesado do que o habitual, que terminava com Wallander a sofrer de Alzheimer.

Mais do que a intriga das histórias, o que me seduz nos romances de Kurt Wallander é a própria personagem do inspector criminal da polícia de Ystad, na Scânia (sim, os livros de Mankell puseram-me a percorrer as ruas desta pequena cidade sueca, no street view dos mapas do Google): um homem sombrio, doente, solitário, com problemas familiares que não conseguia resolver, e nem sempre muito simpático. É, juntamente com o detective Espinosa do escritor brasileiro Luiz-Alfredo Garcia Roza, e um pouco pelas mesmas razões, um dos meus personagens literários preferidos, e ler cada livro de Mankell era como reencontrar um amigo difícil, mas por quem sentimos muito carinho.

Para além de Wallander, Mankell escreveu muitos outros livros, policiais e não só. Ainda há poucos meses li um outro livro dele, Um Anjo Impuro, um romance que não tinha nada a ver com policiais e que se passava em Moçambique, nos inícios do século XX. A ligação do escritor a Moçambique era muito forte; Mankell passava uma parte significativa do ano a viver em Maputo, onde colaborava e dirigia o grupo de teatro Avenida, um dos mais proeminentes da cena teatral moçambicana.
Tags: henning mankell, livros, obituário
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