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angst essen seele auf
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Há muitos anos que não via um filme de Rainer Werner Fassbinder. Tive a sorte de ver um número razoável de filmes do realizador alemão durante os meus anos formativos enquanto espectador de cinema, mas depois, creio que depois de Querelle, o seu derradeiro filme, nunca mais vi ou revi nenhum. Este mês o cineclube está a passar um ciclo dedicado à sua obra, com a mais-valia de eu nunca ter visto a maior parte dos filmes que passam.

Sim, porque eu vi muitos filmes do realizador, mas todos sabemos como ele era produtivo: dezenas de filmes, curtos e longos, séries de televisão, sem contar com as produções de teatro, tudo isto num curtíssimo período de tempo, uma vez que o realizador morreu muito precocemente, no início dos anos 80. Por exemplo, o filme que vi ontem, O Medo Devora a Alma / Angst essen Seele Auf, de 1974, foi já a vigésima longa-metragem de Fassbinder.

Uma das razões porque gosto tanto dos seus filmes, é porque grande parte da obra de Fassbinder dedica-se a trabalhar as regras do melodrama, que é um dos meus géneros de cinema favoritos. E como é próprio do género, o dinâmica do melodrama tem um alcance social, é uma expécie de ensaio laboratorial dos dramas e dos conflitos da sociedade, permitindo, esta caracteristica, que Fassbinder ensaie uma análise da sociedade que emergiu da Alemanha do pós-guerra.

E O Medo Devora a Alma é um dos melhores exemplos, tanto mais que o filme se inspira nos dispositivos narrativos de um dos mestres do melodrama, Douglas Sirk, contando a história de uma mulher viúva e já idosa que, para escândalo de familiares, vizinho e colegas, se enamora e casa com um emigrante marroquino, jovem e robusto.

Por um lado, Fassbinder acentua as tensões e os conflitos próprios do género, que primeiro nascem do exterior, com a rejeição dos que estão à volta do casal, mas que depois, de maneira inevitável, contaminam a própria relação entre o casal. Por outro lado, o filme é feito com um mínimo de recursos, e é admirável como o realizador se concentra na economia da narrativa, explorando o plano para poder dar o máximo de informação ao espectador, de maneira intensa e profunda.
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Fassbinder is my favorite film director. In A Year of Thirteen Moons, Martha, & Fox & His Friends are my favorites although Fear Eats the Soul & Querelle are also excellent. You can see Sirk's influence in many of his films.

I'm glad I have the chance to view some of his films now

Veronika Voss

(Anonymous)
Fassbinder não assistiu à "première" de Querelle, pois faleceu antes.
No entanto, o último filme seu a cuja representação assistiu foi, para mim, também um dos mais belos que conheço da sua carreira: "Die Sehnsucht der Veronika Voss", para o qual se inspirou num dos mais fantásticos filmes que saiu de Hollywood - "Sunset Boulevard".
Confesso que sinto saudade da obra de Fassbinder, ainda que perceba que o preço foi elevadíssimo.
Manel

vi o VV há muitos anos, lembro-me mal. gostaria de o rever.

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