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as mil e uma noites, vol 1: o inquieto
rosas
innersmile
Tive em relação à primeira parte, o Inquieto, do filme As Mil e Uma Noites, a mesma impressão de que tinha tido em relação a Tabu, o anterior filme de Miguel Gomes: a de que o filme tinha tudo para ser um barrete, com a palavra desastre escrita em letras garrafais, mas depois o resultado final é absolutamente brilhante e irresistível.

Correndo o país, ao longo de um ano, atrás de histórias que de algum modo reflectissem os tempos de crise que temos atravessado, o filme vai buscar às 1001 Noites a sua estrutura mas sobretudo o seu drive: a noção de que há histórias que pedem para ser contadas e que são elas que nos salvam.

O que é admirável é que filmando os estaleiros de Viana e os seus trabalhadores ou as aventuras de um galo condenado à morte por cantar a desoras, Miguel Gomes não apenas destapa a vontade de ficção das histórias que compõem o filme, sejam elas reais ou fantasiadas, mas consegue, como já fazia em Tabu, sobretudo na segunda parte, dar-lhes um tom encantatório, construindo relatos que nos prendem e nos fazem sempre pedir mais (daí a justeza do título).
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Parece interessante, pequenas histórias que juntas retratam um pais que poderia estar mais bem vestido, e com uma barriga mais cheia.

é sim. e esta foi apenas a primeira das três partes que constituem o filme.

surreal foi o que achei. no meio das desgraças de desemprego, incêndios florestais, mete a história do galo que 'prevê' o que irá acontecer. e depois o fim, que afinal há a esperança mesmo no banho gelado dos magníficos e do desespero do sindicalista cardíaco.
como é que era, porca espigada? :P
o início é apenas para dar o mote da troika, os homens de pau feito, para nos ... a todos :P

surreal, sem dúvida. essa é uma das qualidades do filme: tudo parece muito colado à realidade mas depois há esse toque de surrealismo, de absurdo, que dá logo outra dimensão às coisas.

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