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regresso a casa + amy
rosas
innersmile
No sábado, matei saudades dos encontros de antigamente com a minha amiga Manela; fui ter com ela, almoçámos com a mãe, perto de casa delas, e depois rumámos ao Arrábida para ver filmes! 2-filmes-2, e ambos excelentes, muita conversa pelo meio das sessões, um jantarinho leve para não atrasar muito a segunda sessão.

Primeiro vimos Regresso a Casa, do realizador chinês Zhang Ymou, uma história de amor e dissipação no cenário da grande revolução cultural, com que Mao virou a vida dos chineses entre as décadas de 60 e 70. Afastados por razões políticas, um casal volta a encontrar-se na reconciliação que se seguiu ao fim da revolução cultural. Com uma nota amarga: a mulher, abalada pelo desgosto, tinha ficado amnésica, esquecendo-se por completo do rosto, e da pessoa, do seu marido. Ao longo do filme vamos assistindo às tentativas que o marido faz para tentar resgatar a memória da mulher, conseguindo a sua reconciliação com a filha, uma antiga aspirante a bailarina que, para conseguir o papel de protagonista de uma peça revolucionária, denunciara o pai quando este fizera uma tentativa de se encontrar com a mãe, da qual resultou a sua prisão e degredo.

O filme repousa por inteiro na interpretação da extraordinária actriz Gong Li, um dos nomes maiores do cinema chinês, e presença assídua dos filmes de ZY. A narrativa do filme é um prodígio de informação e construção dramática, e, nunca perdendo o foco nos três protagonistas e no seu drama familiar, o realizador está-nos sempre a remeter para as ruas da cidade, para o movimento das massas; e é neste equilíbrio entre o intimismo do melodrama e o fresco do filme histórico que se jogam as imagens sumptuosas do filme, os seus planos irrepreensíveis no aspecto formal, e um jogo cromático que, enchendo o olho, vai ser tomando a temperatura ao desenvolvimento da acção. Grande cinema, em suma.

O outro filme visto foi Amy, o também ele extraordinário documentário que Asif Kapadia construiu para nos devolver, com um retrato que procura captar o seu tumulto interior, a glória e a tragédia que Amy Winehouse viveu ao longo dos 10 anos em que decorreu a sua carreira de música de génio, como cantora, instrumentista e autora de canções, e de estrela pop em queda desamparada.

É impossível não sermos tocados pelo infelicidade que foi a vida de Amy a partir do momento em que ela perde completamente o pé e o controlo do seu destino, e até à sua morte, que não conseguimos deixar de sentir como sendo a de alguém que se atira com toda a força de encontro a um muro; como não podemos deixar de nos sentir exultantes perante o seu génio e a sua voz, pelo seu domínio natural e espontâneo, quer do sentido musical do jazz quer da intensidade da soul.

Sem as habituais ‘cabeças falantes’ (substituídos por comentários em off), repousando inteiramente em imagens privadas e públicas de Amy Winehouse, o filme tem, na minha opinião, duas pequenas falhas. Uma que o simplifica, ao apontar de forma inequívoca o dedo às pessoas que ele considera ser as responsáveis pela tragédia de Amy (ainda que o sejam). Outra que o fragiliza, porque ficamos sempre a sentir que, de alguma maneira, a figura e até as palavras de Amy ganham em protagonismo à sua música e ao seu canto.
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Mais uma vez estou muito alheado do mundo do cinema: só me dei conta de que há um filme sobre a Amy através de posts que li, incluindo este, pela blogosfera.

Nunca fui grande fã. Gosto de uma ou duas dela.

eu gosto da música dela e da voz, era uma cantora quente e com um grande sentido das harmonias. mas confesso que nunca me seduziu o boneco, e nos últimos anos até achava aquilo um bocadinho deplorável; o filme ajudou-me a perceber melhor o porquê disso acontecer.

Muitos falam do documentário, quero também ver, mas não será no cinema, e na verdade, nunca vi um documentário num cinema. Deverá de ser um experiência diferente.

eu gosto muito de documentários, e gosto especialmente de os ver no cinema, porque aí tem-se melhor a noção de que se trata de um filme, e não de uma reportagem de TV :)

almoço com a Lídia, ida ao cinema monumental e vimos o primeiro filme. nada como regressar ao trabalho e folgar uma tarde depois :D
a amizade vale tudo isso :)
quando vieres cá abaixo, almoçamos os três. não me importo de fazer gazeta de novo.

boa ideia!
na semana de 17 vou de férias para fora, mas na outra a seguir poderíamos marcar, já tenho (muitas) saudades vossas :)

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