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uccellacci e uccellini
rosas
innersmile
Tenho a ideia de já ter escrito, e posto aqui, sobre Uccellacci e Uccellini (em português Passarinhos e Passarões), um filme de Pier Paolo Pasolini, que vi uma destas semanas nas sessões ao ar livre do cineclube. Tenho quase a certeza de ter escrito o texto, mas provavelmente apaguei-o sem querer, pois não o encontro, nem aqui, nem nos sítios onde vou escrevendo.

O filme é de 1966 e isso nota-se, pois já não se fazem filmes assim, com forte consciência social e política, mas de vocação popular, poéticos e subversivos, perpassados por uma ironia que os torna simultaneamente implacáveis e frágeis. E que sejam capazes de misturar a poesia de Totò e um olhar languido sobre o corpo e a face de Ninetto Davoli (que ao tempo era amante de Pasolini, e com quem ainda rodaria quase todos os filmes do realizador), o misticismo bucólico e um grupo de rapazes a dançar música pop, engates a uma prostituta de rua (partilhada por pai e filho) e cenas reais do funeral de um militante comunista.

A ousadia de Pasolini, de resto, está desde logo expressa no genérico inicial: Domenico Modugno canta, com música de Ennio Morricone, o genérico inicial; e no facto do filme ser narrado por um corvo, politizado e tão sério, que enfada os personagens ao ponto de eles decidirem jantá-lo.
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Lembro-me perfeitamente da cinemateca instalada no Palácio Foz, apesar de nunca a ter frequentado aí. Quando, mais tarde, passei um ano lectivo em Lx, então sim, fui muitas vezes à Cinemateca, mas já era na Rua Barata Salgueiro. Foi lá que vi os Warhol :)

Também vi muitos filmes do Pasolini nesses anos em que os cinemas passavam filmes que não eram made in Hollywood. Em Coimbra o Gil Vicente fazia as vezes da cinemateca.
Mas curiosamente não me lembro de ter visto este. Lembro-me bem dos filmes da chamada trilogia da vida, e, claro, do Saló, dos poucos filmes que, da primeira vez que o vi, me incomodou seriamente.

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