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mr. holmes
rosas
innersmile
Aprendi a gostar do Fred Astaire com o meu pai, que era fã absoluto da parelha que Astaire fazia com Ginger Rodgers. Tenho a vaguíssima ideia de ter visto um filme dele em miúdo, mas foi depois da nossa vinda para Portugal que pudemos dar azo ao nosso gosto através da TV, nomeadamente das sessões de matiné dos domingos (sim, houve um tempo em que os filmes do FA passavam na tv portuguesa), que me deram a oportunidade de ver quase todos os seus filmes, nomeadamente os que fez nos gloriosos anos trinta.

Foi um pouco como a ver o Fred Astaire a evoluir com elegância pelos gigantescos e brilhantes plateaus desses filmes, rodopiando com Rodgers nos braços, ou a deslizar com leveza em números de sapateado tão rápido que não lhe víamos os sapatos a tocar no chão, que me senti a ver o Ian McKellen a fazer de Sherlock no filme Mr. Holmes, de Bill Condon, cujo primeiro filme que vi foi Gods and Monsters, igualmente com McKellen, uma ficção baseada na vida, ou nos últimos dias da vida de James Whale, realizador de filmes de terror nos anos trinta e que era homossexual assumido.

A Mr Holmes falta-lhe, talvez, uma narrativa mais clara e determinada, e um plot que verdadeiramente interesse o espectador. O filme vai evoluindo através de três linhas narrativas, sendo que duas delas, contadas em flashback, dão o tom detectivesco à história mas que, como disse, não chegam a prender a atenção.

Mas o trabalho de Ian McKellen na composição de um Sherlock nonagenário, atormentado por um caso mal resolvido, e em luta desesperada contra a demência que lhe vai aos poucos esvaziando a memória, é das coisas mais notáveis que eu já vi, e um trabalho todo ele sem esforço, sem maneirismos ou tiques cabotinos, sempre a serviço da personagem e da sua verdade, ao mesmo tempo subtil e denso, límpido e misterioso. Kudos para Sir Ian, of course, e espero que ele ganhe os prémios todos para o cinema deste ano.
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