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inside a pearl
rosas
innersmile


Terminei no fim de semana passado a leitura de Inside a Pearl: My Years in Paris, o terceiro volume que Edmund White publica dedicado às suas memórias. Desta vez o período abrangido são os quase vinte anos que o autor viveu em Paris, e segue-se a dois outros livros de memórias: My Lives e City Boy: My Life in New York in the 1960s and 70s. Considerando que três dos seus romances mais conhecidos são clara e assumidamente autobiográficos, é óbvio que para White o tema preferido é a sua própria vida. Não tanto a sua vida pessoal, intelectual, a sua visão do mundo, mas a sua vida de todos os dias, a sua vida que interage com os outros, seja na dimensão mais social e literata, seja na dimensão explicitamente sexual.

Além disso, esta é já a terceira obra que leio do autor, dedicada a Paris, depois de Flaneur, editada em Portugal numa belíssima colecção de literatura de viagem da editora ASA, e de Our Paris: Sketches from Memory, que White escreveu para desenhos de Hubert Sorin, que foi seu amante e que é uma das personagens principais do romance The Farewell Symphony.

Contando com este, já li 15 livros do autor, e começo a sentir alguma familiaridade com os seus amigos e amantes, que aparecem nos livros como personagens recorrentes. Na base deste Inside a Pearl está uma amizade em particular de White: a que nasceu num encontro em Nova Iorque com Marie-Claude du Brunhoff, e que é, de certa maneira, responsável pela sua ida para Paris, no início dos anos 80, em plena eclosão da epidemia da Sida, tendo White sido um dos pioneiros do activismo a favor dos doentes com o VIH.

De facto, se Inside a Pearl muitas vezes se parece como uma mistura entre a lista telefónica e as páginas de bisbilhotices das revistas de celebridades, MC, como o autor a denomina a maior parte das vezes, está presente ao longo de quase todo o livro que se assume, desta maneira, quase como a memória de uma relação de amizade que durou décadas, e uma homenagem biográfica à própria MC.

O estilo da escrita é o mesmo de sempre, um equilíbrio perfeito entre o rigor da linguagem e uma certa leveza que não recusa, por exemplo, o coloquial ou mesmo o calão. Culto e informado, literato e sempre profundamente irónico, não resistindo ao gossip, mas com uma grande capacidade de perceber a profundidade da natureza humana.
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