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love & mercy
rosas
innersmile
Fui no sábado à tarde ver Love & Mercy, um filme realizado por Bill Pohlad, que reconstrói dois momentos particulares da vida de Brian Wilson, o músico que deu às canções dos Beach Boys a sua inspiração genial.

Esses dois momentos situam-se, o primeiro, nos anos 60, nas vésperas das sessões de gravação do disco Pet Sound, por muitos considerado o melhor disco de pop de sempre, e que o filme reconstrói com grande rigor, devolvendo-nos a exaltação de podermos assistir à criação de um dos marcos mais influentes e perenes da música pop dos anos 60. O filme dedica especial atenção à emersão dos sinais de perturbação psíquica de Brian Wilson, que convivem com a sua genialidade enquanto músico, e aos conflitos que surgiram, naturalmente, entre o visionarismo das ideias de Wilson, e as que os restantes membros da banda tinham para o que deveria ser o som dos TBB, votado à consagração da juventude surfista ao sol da Califórnia.

O outro momento da vida de Wilson que o filme acompanha decorre já depois da euforia do sucesso, quando o músico, nos anos 80, está completamente afundado na depressão e na psicose, alimentada em parte por um psicoterapeuta que, dessa forma, assume um controlo total sobre a sua mente e a sua vida.

Gostei bastante do filme, sobretudo porque consegue captar muito bem aquilo que transforma a música dos Beach Boys numa coisa tão exaltante e inspiradora, e que é eminentemente musical, ou seja, não tem tanto a ver com o género musical, com o surf ou as raparigas, ou só com as lindíssimas harmonias que os irmãos e primos de Brian conseguiam criar, mas é muito mais do que isso, é música verdadeiramente tocada pelo génio criativo, que, como todas as obras de arte verdadeiramente geniais, nos ajuda a descodificar a vida, ao mesmo tempo que adensa o seu mistério.
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