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parabéns antónio
rosas
innersmile


O meu pai faz hoje 86 anos. É o seu primeiro aniversário sem a minha mãe, apesar de esta circunstância não lhe pesar. E é também o primeiro aniversário que passa fora de casa, na instituição religiosa onde está internado.

Eu estava um pouco nervoso, não sabia muito bem o que fazer. Mas encomendei um bolo de aniversário grande, a minha prima comprou sumos, e fomos, eu, os meus primos e uma amiga da família, ter com ele depois do almoço. Claro, eu não sabia o que fazer, mas quer o pessoal da instituição quer os próprios companheiros de internamento do meu pai, sabiam muito bem.

Reunimo-nos todos na sala de estar, o staff trouxe um carrinho com o bolo já cortado, cantaram-se os parabéns, houve palmas, o bolo foi distribuído por todos, até pelas pessoas que não podem vir à sala e por visitas de outros companheiros, e algumas senhoras vieram pessoalmente cumprimentar o meu pai e desejar-lhe parabéns e felicidades.

Aquelas pessoas, quer o pessoal da instituição quer os outros doentes, não fazem ideia, mas fizeram uma das festas de aniversário mais bonitas a que assisti, e fiquei com o coração cheio.

Um dia destes a minha querida Madalena dizia-me que uma das coisas que mais a surpreendeu por ocasião da morte da sua Mãe, que também sofria de uma doença degenerativa e também estava internada numa instituição, foi descobrir que a Mãe tinha tido toda uma outra vida nessa instituição, com uma vida interior mas também com vida exterior, feita de relacionamentos sociais e afectivos.

É também isso que, tenho descoberto aos poucos, está a acontecer com o meu pai. Um destes dias, tinha o cinto das calças mal apertado e afastou-me da frente dirigindo-se a uma das suas companheiras a pedir ajuda para o compor. Creio que já o disse aqui, que pior do que o meu pai se esquecer do mundo, é o mundo estar a esquecer-se dele, o mundo dos seus familiares e amigos, das pessoas que o podiam ir visitar e nunca o fazem, das que já nem se lembram do seu aniversário. Confesso que isso me choca e me entristece.

Mas maior do que a minha tristeza, é essa alegria (tão surpreendente, não é, Madalena?) de saber que ele tem uma vida interior e uma vida social. Posso não as entender muito bem, nem saber muito bem lidar com elas, mas das quais, enquanto ele me deixar e mesmo depois disso, eu vou orgulhosamente continuar a fazer parte. O orgulho que senti ainda hoje quando liguei para Maputo e ele falou tão bem com o meu irmão, apesar de dois minutos depois já não se lembrar. Ou quando uma das enfermeiras se aproximou e lhe perguntou, apontando para mim: quem é este senhor? E ele, com aquele ar que sempre teve de quem não está para nos aturar, respondeu: este? E sacudindo os ombros: é meu filho.

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Querido Miguel
Muitos parabéns ao teu Pai. Fico contente, por saber que o teu pai está bem integrado, rodeado de novos amigos, e que, com tanta gente boa, fizeram uma festa de aniversário que vos encheu o coração.
Ainda bem que encontraste uma instituição, com um ambiente tão familiar. Meu amigo, para mim, são importantes os anos que se põem na vida, mas o conta mesmo, são os amigos que recebemos nela.
Desejo-te uma boa semana. Um beijinho. Lídia


muito obrigado Lídia. como cantava o duo ouro negro, ter amigos é fortuna.
tenho saudades tuas :)

É isso, Miguel. O teu pai criou laços nessa casa, instituição, lar, o que seja, é onde viverá agora e está bem. Tem amigos, é feliz, bem, suponho que o seja, e é amado. Parabéns ao teu pai e ao filho que ele sabe, viste como sabe? que o adora. :-)

um beijo, Margarida. obrigado

Querido Miguel,

O avô paterno, soube depois, passou o seu último ano e meio de vida em centros de cuidados continuados, em Tomar, na Amora e em Camarate. A avó fez o que pode por ele. Um dia, porque ele rejeitou sempre sair de casa, perguntou-lhe se queria pelo menos passar um fim-de-semana. Não quis. Sentia-se bem por lá, era bem tratado, acarinhado.

A avó comemorou oitenta e sete anos no domingo, o primeiro aniversário sem o avô em perto de setenta anos. Não estive com ela, nunca fomos afectivamente próximos, mas suponho a sua dor.

um abraço.

87 é uma idade fantástica. acho que lhe devias fazer uma visita. just saying :)

p.s.: Parabéns ao senhor teu Pai.

muitos parabéns para o Sr. António e para o filho também ;)

agradeço em nome dos dois :)

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