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a ridícula ideia de não voltar a ver-te
rosas
innersmile


Tinha lido um livro da escritora espanhola Rosa Montero, A Louca da Casa, há alguns anos e gostei bastante: do tema, e sobretudo do estilo da autora. Recentemente foi posto à venda o seu mais recente título, A Rídicula Ideia de Não Voltar a Ver-te, e decidi reincidir.

Claro que o título me chamou a atenção, para mais tratando-se de uma autora que eu já conhecida. Mas o que me cativou foi a ideia do livro. Há uns tempos atrás, a editora de Rosa Montero convidou-a para prefaciar um livro com o diário que Marie Curie escreveu na sequência da morte prematura de Pierre Curie; o convite surgiu, perspicazmente, porque Rosa Montero tinha ela própria enviuvado há pouco tempo, e a sua editora acho que ela seria a pessoa mais indicada para fazer a leitura desse diário.

Não sou propriamente móbido, mas o tema da morte dos nossos entes queridos, dos seus efeitos devastadores e de como lhes conseguimos sobreviver, interessa-me; sempre me interessou, mas agora interessa-me ainda mais (recordo, sem esforço, dois livros que me marcaram muito: Fernanda, de Ernesto Sampaio, e O Ano do Pensamento Mágico, de Joan Didion). Muitas vezes na minha vida recorri à literatura para me ajudar a perspectivar coisas que me aconteceram, e pensei que o livro me poderia ajudar a pensar sobre os terríveis meses que foram a minha vida recente.

Como disse, Rosa Montero parte dessa dúzia ou dúzia e meia de páginas que Marie Curie escreveu no ano subsequente à morte do seu marido, para traçar o retrato biográfico da cientista polaca que venceu duas vezes o prémio Nobel (da Física em 1903, e da Química em 1911), mais psicológico e afectivo do que histórico ou factual. A Montero interessa mais indagar o rosto de Curie, tentar ler a sua vida mais do que descrevê-la, para se confrontar a si própria com a vida depois da perda do seu marido. Não se trata exactamente de um livro de luto, sobre a perda e a sua dor indizível, mas mais de um livro da vida, sobre a maneira como conseguimos sobreviver a essa perda e a essa dor.

Claro, estamos muito longe da literatura de auto-ajuda ou de motivação espiritual. Não há receitas nem sequer caminhos que se apontam, apesar de o tom ser sempre muito positivo e o humor estar sempre presente. De resto, é difícil definir o estilo do livro, e a única coisa que me ocorre dizer é mesmo que é do mesmo género de A Louca da Casa!

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Podia ter sido eu a escrever esse terceiro parágrafo (só retiraria o livro Fernanda de Ernesto Sampaio pois nunca li nem conhecia).
Também recorro muito à literatura para perceber como outras pessoas sobreviveram a este tipo de perda. Li o livro da Joan Didion em Janeiro de 2014 (sim, tenho a mania de pôr sempre a data nos livros), quando a minha mãe estava viva mas já bastante doente e marcou-me bastante. Mais recentemente li o Wild, da Cheryl Strayed, no Verão do ano passado, e também mexeu muito comigo.

esse livro do Ernesto Sampaio é um assombro, e creio que foi reeditado há pouco tempo.

fiquei interessada nele. mais um para ler ;)

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