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o irmão alemão
rosas
innersmile


Partindo de um episódio da sua própria biografia, e com recurso a fotos e documentos verdadeiros, Chico Buarque constrói em O Irmão Alemão uma ficção que serve, essencialmente, para criar um retrato do que foram os anos iniciais da ditadura militar brasileira. A parábola é eficaz, e resulta numa narrativa com um leve tom de distopia política, enriquecida por um carácter acentuada e assumidamente literato. A linguagem é de uma competência rigorosa e quase luxuriante, mas a narrativa não apresenta um domínio a condizer.

Numa passagem do livro, a personagem principal, Ciccio (o diminutivo italiano para Francisco, como o autor), adianta-se ao vasto conhecimento literário do seu pai (Sérgio, como o próprio pai do autor), referindo-se à obra de W.G. Sebald. E aceita-se a referência, já que esta obra de Chico Buarque é, em vários aspectos, muito influenciada pela obra do escritor alemão, em particular pelo romance Austerlitz, que todavia não é citado expressamente: a mistura misteriosa de real e ficção, o recurso a fotos e à reprodução gráfica de documentos, o horror do nazismo e as suas marcas que ainda permanecem e moldam a Europa, a que Chico acrescenta ondas de choque sentidas na América do Sul.

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E a capa é excelente, não achas?

sim, tens razão. um dos inconvenientes do kindle é que, como a resolução gráfica é pobre, não se liga muito à capa. além de que, tratando-se de um ebook, não estamos sempre a visualizar a capa, como acontece num livro físico.

Anotei a tua referência ao Sebald. Também acabei de ler um livro cujas palavras das personagens pareceram-me desajustadas.

é engraçado, estamos a ler e de repente percebemos que sabemos de que autor e de que livro é que ele está a falar :)

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