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pra que chorar
rosas
innersmile

Ontem ao fim da tarde fui a Quiaios. Passei um dia bastante solitário. Tirando dois telefonemas, só falei com estranhos: o empregado do café, a caixa do supermercado, o chinês do restaurante, a menina do balcão da loja de coisas para casa (comprei uma colcha nova para o sofá, agora é um laranja forte).

Já passava das quatro e meia quando saí de casa. Escolhi, para ouvir no caminho, o cd do álbum Amália/Vinícius, a gravação de um encontro entre ambos numa noite de Lisboa, em dezembro de 1968. É um dos meus discos preferidos, que conheço desde a infância, da casa do meus pais em Nampula, onde o disco chegou dias antes de ter sido proibido pela censura. Fado, samba e poesia, com Amália e Vinícius de Moraes, Natália Correia, Ary dos Santos e David Mourão Ferreira, que apresenta o disco em voz off. Acompanham os cantores e poetas o guitarrista Fontes Rocha e o viola Pedro Leal. A interpretação da Amália de Havemos de Ir a Viana, com música de Alain Oulman e um poema lindíssimo de Pedro Homem de Melo, é a minha versão favorita desse fado.

Fiz o caminho pelos campos do Mondego, o que prefiro, não tanto para fugir ao trânsito, mas sobretudo porque é o mais bonito e variado. Na praia estava pouco agradável, sem sol, e com um ventinho fresco. Mas mesmo assim soube-me muito bem estar lá mais de uma hora, a ler. Depois comi uma bifana e um sumo, e voltei para casa. A maior parte do trajecto de regresso foi feito à frente a um carro da brigada de trânsito da GNR. É chato, virmos sempre assim à frente da polícia, parece que estamos a ser constantemente observados e não podemos dar um passo em falso (enfim, um passo com o automóvel). Mas teve a vantagem de me obrigar a concentrar e afastar a melancolia: do fim do dia, do fim das férias, da saudade.




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Vem pra Sampa! Tá na hora. (Se bater saudade, te levo pra comer pasteis de nata)

alguma coisa acontece no meu coração

Há dias em que não saio de casa e só falo com os gatos. E é tão bom, porque nos outros dias de trabalho é barulho demais.

essa parte de ser bom é que me assusta um bocadinho. tenho medo que um dia não seja e já não haja remédio.

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