miguel (innersmile) wrote,
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the price of salt



Sou fã da Patricia Highsmith há muito tempo, admiro-a não apenas como mestre do policial psicológico e do suspense, mas principalmente pelo domínio da narrativa, pela capacidade da escrita em criar tensão e conflito. Finalmente li este livro, há muito desejado, e quis lê-lo antes de estrear o filme que Todd Haynes fez a partir dele, com a Clate Blanchett e a Rooney Mara nos principais papéis (e já agora, devo dizê-lo, mesmo sem ter visto o filme nunca consegui deixar de associar a personagem da Carol ao rosto da Blanchett).

Trata-se da segunda obra que Highsmith publicou (depois de Strangers on a Train, e de ter vendido os direitos deste livro a Alfred Hitchcock), em início dos anos 50, e sob pseudónimo, dado o carácter 'delicado' do tema: um romance de amor entre duas mulheres, que termina bem porque, de facto, o amor verdadeiro vence tudo.

O que é mais admirável nesta obra, para além do seu carácter pioneiro e da coragem da sua autora (acrescida, dado que na génese do livro está um episódio autobiográfico), é que Highsmith carrega este romance de amor de todo o conflito e de toda a tensão que já conhecemos da sua obra policial. Therese e Carol são personagens complexas, que nunca compreendemos muito bem, nem no seu perfil nem quanto às suas intenções. Como em muitos dos seus outros livros (e percebe-se a atracção de Hitchcock), tudo parece estar em desfavor das personagens, todos os outros mas também todas as circunstâncias, elas parecem sempre ancorar-se numa solidão que é, ao mesmo tempo, a sua fragilidade e o seu esteio de resiliência, e só mesmo no final, nas derradeiras páginas, a coragem das personagens parece ser recompensada.
Tags: highsmith, livros
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