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o sol, o céu azul, é sempre assim

FADO DA PRIMAVERA

Os dias estão maiores e mais brilhantes
A luz cintila com mais claridade
Esquecemos o que passou há instantes
A primavera voltou à cidade

As andorinhas gritam esvoaçantes
E girassóis florescem no jardim
Os jacarandás abrem deslumbrantes
O pôr do sol parece não ter fim

É sempre igual e sempre renovada
A força com que a vida se refaz
Só no meu peito ficará marcada
A primeira estação em que não estás

A primavera voltou à cidade
O sol, o céu azul, é sempre assim
É tudo igual, apenas a saudade
Faz chover de tristeza só para mim.


Quando reuni num livro as letras que escrevi a pensar em fados, pensei que não voltaria a escrever este tipo de poemas. Mas há uns dias, a propósito de uma das canções do concerto da Ala dos Namorados, lembrei-me de que poderia escrever um dedicado à primavera que incluísse, além desta, a palavra girassóis. Mas quando, depois de uns dias a macerar cá dentro, o poema saíu quase completo, essas duas palavras não ganharam o privilégio da rima. A “inspiração” musical para esta letra foi o Fado Alberto.
Tags: fados
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