Previous Entry Share Next Entry
suite française, the interview
rosas
innersmile
Dois filmes este fim de semana. O primeiro, visto nos cinemas, foi Suite Française, realizado pelo britânico Saul Dibb, um drama romântico passado durante a II Grande Guerra, numa aldeia da França ocupada. Vale a pena referir que o filme se baseia num romance incompleto escrito por Irène Némirovsky durante a própria guerra e que só veio a ser descoberto por uma das suas filhas, e publicado, há poucos anos. Némirovsky, uma judia de origem russa fugida à revolução comunista, e convertida ao catolicismo, viu ser-lhe recusada a cidadania francesa. Foi presa em Julho de 1942, e um mês depois morreu de tifo no campo de Auschwitz.

Não sendo um filme brilhante do ponto de vista narrativo, conta com eficácia e tensão q.b., a história de amor entre uma mulher, cujo marido está ausente em combate, e que vive com a sogra autoritária numa aldeia ocupada pela Wehrmacht, e o oficial alemão que escolhe para se hospedar a casa onde ambas vivem. O grande trunfo do filme é conseguir nunca tomar partido moral em relação às três personagens principais, justificando sempre as suas acções no contexto da guerra e da ocupação, apesar do final “heróico” que resolve a intriga.

A Kristin Scott Thomas é, como sempre, brilhante, no papel da sogra dominadora, e Michelle Williams e Matthias Schoenaerts fazem o par romântico.


O outro filme foi visto em casa e pela primeira vez recorri ao videoclube do serviço de TV cabo. Aproveitei um código promocional para ver The Interview, o filme realizado por Seth Rogen e Evan Goldberg, com James Franco e o próprio SR nos principais papeís, que no ano passado provocou polémica por ter sido impedida a sua estreia comercial pela Sony na sequência de um ataque informático que a empresa sofreu alegadamente feito pela Coreia do Norte.

Trata-se de uma sátira política, que goza tanto com o amado líder Kim Jung-Un como especialmente com a própria América, com a sua política externa dominada pela paranóia e com os novos modelos televisivos de informação. Apesar de marcado pela tendência actual da comédia norte-americana para um certo excesso, o filme é divertido e tem momentos muito bem conseguidos.


Ainda a propósito, já ninguém usa a expressão ‘apresentações’ para se referir aos anúncios que passam no cinema, em pré-sessão, a outros filmes em exibição ou a estrear brevemente. Agora só se usa a expressão trailer (como dizia o Herman, lets look at de traila). Nalgumas coisas estou a ficar definitivamente velho: nunca me sai o trailer, digo, e penso, sempre nas antigas apresentações.
Tags:

  • 1
Tenho cá para ver "The Intervew". O outro ainda não mas parece interessante e tens razão - a KST é uma enorme actriz.

e estreou um outro filme, do John Boorman, também passado no tempo da 2ª Guerra, quero ver se ainda vejo.

a suite francesa esteve anos esgotado. ofereci-o mesmo usado e sublinhado à Sandra Costa, que tem um grande interesse nesta área. o bom dos filmes é que obrigam a reeditar edições esgotadas. um excelente livro. a autora nunca se calou face ao colaboracionismo francês e à situação de convivência entre os franceses e os alemães, que lhes entram pelas casas, acabando por se estabelecer um certo tipo de amizade, ou algo mais.

fixe. eu só conheci a história do livro a propósito do filme.

  • 1
?

Log in

No account? Create an account