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servidão humana
rosas
innersmile


Servidão Humana, de Somerset Maugham, é um romance extraordinário, que acompanha a infância e a juventude de um homem fascinante, todos os passos da sua formação, todos os dilemas e conflitos da construção da sua moral e da sua visão do mundo, as forças e as fragilidades, a grandeza e a mediocridade. Enfim, um homem como todos nós.

Maugham é um mestre, a sua escrita é densa de conteúdo, convocando a arte, a filosofia, a religião. Mas é igualmente de uma extrema simplicidade, sem floreados ou devaneios, directa ao assunto.

Percebe-se, e sente-se, que esta história é muito autobiográfica, e que através de Philip Carey, é o próprio autor que organiza e tenta encontrar e dar sentido ao seu processo formativo. Parece que hoje em dia o Somerset Maugham estará um pouco desvalorizado, ou mesmo esquecido, talvez já não seja um autor moderno. Mas é pena. Pensei muitas vezes durante a leitura, que deveria ter lido o livro na minha juventude, para já não dizer mesmo na adolescência; Servidão Humana é daqueles livros que nos retratam tanto por inteiro que nos marcam e transformam, que nos obrigam a por-nos a nós próprios em questão.

O João Máximo ‘arrumou’ o livro na estante lgbt, na sua biblioteca do Goodreads, e eu meti-me com ele, a dizer que isso era uma ousadia, mas que a partilhava. Como se sabe, o Somerset Maugham era homossexual, apesar de ter sido casado e ter tido uma filha. E a homossexualidade de Philip Carey é uma coisa que se sente estar sempre latente no romance, apesar de não ser mencionada; o que eu quero dizer é que se sente que a personagem seria mais coerente, mais verdadeira para consigo mesma, se fosse essa a sua orientação sexual.

Li o livro em edição digital, feita a partir da tradução brasileira, publicada pela Globo, a que corresponde a foto da capa.

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Abriste-me extraordinariamente o apetite e embora ainda não tenha lido o livro, como é óbvio, há aspectos da tua critica (apenas aspectos, note-se) que encontro no livro que estou a terminar e tu já leste: "Contra Natura", do Álvaro Pombo.

João, é este o link para os dois posts onde falo do livro do Álvaro Pombo:
http://innersmile.livejournal.com/tag/alvaro%20pombo

Há quem diga que se trata de uma obra autobiográfica (o próprio autor afirma que a realidade e a fição se misturam neste livro) e que o pé boto do personagem principal, Philip, se refere à gaguez de Maugham. Quando li o livro não consegui deixar de pensar que o "aleijão" se referia não à gaguez de Maugham mas à sua homossexualidade escondida. Há até quem diga que a paixão de Philipe por Mildred no livro é inspirada, de facto, no amor de Maugham por Haxton, que conheceu em França e que seria seu amante e companheiro até à morte. A condenação de Oscar Wilde aterrorizou todos os intelectuais da sua geração e Maugham não foi exceção.

também achei que o pé boto era mais uma metáfora da homossexualidade do que da gaguez do SM.

agora se a Mildred era o Haxton, poor William! acho que foi das personagens mais detestáveis que vi em literatura.

passei por ele várias vezes na biblioteca, mas nunca o requisitei.
por falar em edição digital brasileira, voltei àquele site terrível e encontrei-o e saquei-o. como a muitos outros. resta não dormir e ler tudo o que tenho no kobo e em pilhas físicas na estante.

tenho de fazer uma visita ao site :)

quanto ao livro, é imperdível

Obrigado, Miguel, pelos links. Como se pode ver pelas 5***** que deste ao livro, ainda bem que chegaste ao fim...

sim, o livro marcou-me mais do que a primeira impressão deixaria transparecer. ultimamente só escrevo aqui sobre os livros depois de terminar a leitura ou quando já estou muito próximo do final.

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