Desde há uns dias que o gato aprendeu uma brincadeira nova. Começou com os ratinhos mas depressa passou para as bolinhas de espuma de borracha, que são mais leves e saltitam: vem largar o brinquedo no meu colo ou ao meu lado para eu o atirar, ele salta, faz lá o estardalhaço dele a imitar os rituais de caça e volta a trazer-me o brinquedo para eu o atirar de novo. Passamos largos minutos nisto. Com a vantagem de que eu consigo brincar com o gato sem interromper a leitura.
Entretanto as manhãs são um bocado traumáticas, porque a partir do momento em que ele se apercebe de que vou sair de casa, começa a tornar-se um adolescente rebelde: morde-me os pés, salta para me arranhar as mãos (se bem que ele faz isto quase o tempo todo, mas pronto, nesta ocasião acumula), vem pôr-se ao pé da porta da rua com ar de quem se preparar para fugir de casa em grande velocidade mal a porta de abra, começa com corridas doidas a saltar e a deitar abaixo tudo o que encontra no caminho (ok, isto também faz muitas vezes, não é só quando estou para sair de casa), enfim, é um stress danado logo às 7:45 da manhã! E, sim, ele faz estas coisas todas praticamente ao mesmo tempo. E quando o tento apanhar para ele não sair disparado porta fora, deita-se de costas a tentar morder-me e arranhar-me.
Mas desde ontem que ele adoptou uma nova táctica, de uma eficácia à prova de bala: quando estou no hall de entrada, a vestir o casaco e a guardar a carteira e as chaves para sair, ele aparece com os brinquedos, ontem a bolinha e hoje um dos ratinhos, e vem largá-los aos meus pés com o ar mais infeliz do mundo. Sacana do bicho, deixa-me prestes a telefonar para o serviço a dar parte de doente!
Bem, das duas que tenho, uma é um bocadinho "atrasada", a Camila. Mas a Teka, essa parece uma pessoa.
Na questão da saída de casa ela reage sempre, antecipadamente, e então se vê uma mala em cima de uma cama, ela sabe que vai haver uma separação maior e fica mesmo triste.
Ai os gatos...
mas eu adoro-o, claro, com excepção das vezes em que me apetece atirá-lo pela janela fora
a princípio ainda me passou pela cabeça arranjar outro. agora acho que este já me dá agua pela barba. e até pelas sobrancelhas...
Ao contrário do que parece, o facto de um gato dar muito trabalho é a grande razão para ter dois.
Abraço aos dois!
pedro
o pior é quando chego: por vezes resulta fazer-lhe festinhas ainda com a porta entreaberta e tentar agarrá-lo; mas na maior parte dos dias, depois de subir 3+1 lances de escadas, segue-se a fitinha do escada-acima-escada-abaixo, com ele a miar para gozar comigo e me chamar para andar atrás dele pelas escadas do prédio.
E até dá para gostar mais, com manha!!!
Beijinhossssss, querido Miguel!