rosas

18

Comecei a escrever este diário online no dia 30 de Julho de 2001. Durante 16 anos, escrevia sempre nesse dia um texto de reflexão sobre o próprio blog, sobre o seu papel na minha vida, sobre o prazer da escrita e o de sermos lidos pelos outros.

O ano passado, no dia 30 de Julho, eu tinha acabado de sair do hospital, onde fiz uma primeira nefrectomia, e o meu irmão tinha morrido poucos dias antes. Nesse dia escrevi no innersmile, mas nem me lembrei da data, com a intensa e urgente necessidade de escrever sobre o meu irmão e a sua morte.

Este ano estava novamente internado no hospital. A 26 fiz nova nefrectomia, e no dia 30 não estava em condições de escrever ou fazer seja o que fosse. Mas acho que me lembrei de efeméride, já não sei se no próprio dia ou depois.

Não há grande reflexões a fazer acerca da minha "blogging life" neste décimo oitavo aniversário do innersmile. Os tempos recentes têm sido maus demais, e quando aqui fui escrevendo foi sobretudo para falar da minha doença e dos internamentos sucessivos. De vez em quando, mais a título de registo do que outra coisa, escrevi sobre os livros que li, umas notas muito breves quase tiradas do que escrevo no Goodreads, e mais umas poucas observações.

Durante muitos anos, escrever neste diário era essencial na minha vida, fazia intrinsecamente parte dela. Por enquanto, pelo menos, ele não é o lugar de onde eu olho a vida e o mundo. A realidade é mais forte e implacável.
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azul velho



Esta foto tem mais de 11 anos, foi feita em Março de 2008 na piscina de um resort em Hoi An, no Vietname, por um outro hóspede que eu não conhecia e queria testar a máquina fotográfica subaquática, tendo-me mandado a foto mais tarde, por email. É, por muitas razões, uma recordação intensa e poderosa. Uma lembrança de coisas que vivi, que perdi, e com toda a certeza nunca mais voltarei a viver.

Quase me dói olhar agora para a foto.

Só uma notazinha para dizer que nesta foto eu pesava mais 30 quilos do que peso agora. E juro que nem um desses quilinhos foi perdido por minha vontade. Pelo contrário, parece que mos roubaram, um a um, nos últimos 3 anos.
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agosto

Estive mais uma vez internado no hospital, desta vez para tirar o rim direito. Ou seja, neste momento não tenho rins nem bexiga, e comecei a fazer tratamentos de diálise logo no dia seguinte à ter sido operado. Entretanto tive alta e agora estou a fazer os tratamentos num centro de diálise. Para já está a ser mais difícil do que eu supunha, mas também sei que estou no princípio de um caminho.

Um dia qualquer, quando estava internado, ainda meio estonteado da intervenção, descobri que os The Gift têm uma nova canção, Verão, da qual foi lançado agora o respectivo vídeo clip.

Foi gravado no abandonado e delapidado complexo de piscinas de São Pedro de Moel. Ligam-me às piscinas da Promoel grande memórias, de férias fantásticas, como são as da juventude, no mais fantástico dos lugares.

A última vez que frequentei as piscinas foi no início dos anos 90, mas continuei a frequentar, muito, São Pedro, e cheguei a ir com os meus pais almoçar ao restaurante das piscinas, para comer um dos melhores caris de camarão que já provei.

A canção dos The Gift é orelhuda, como quase todas as do grupo, a letra em português não é propriamente notável, mas o tom melancólico é perfeito para o mês de Agosto.

E o refrão sugere a pergunta essencial neste momento: amanhã será bem melhor?

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leituras



Down There on a Visit é um dos livros do Christopher Isherwood de que mais gostei, e já li alguns. Como nas suas obras mais populares, também este é escrito na primeira pessoa do singular, e o narrador chama-se Christopher. A narrativa é dividida em quatro partes, cada uma decorrendo em tempos e lugares diferentes, e dominada por uma personagem, que dá o nome ao capítulo. As diversas personagens correspondem a pessoas reais, e vão aparecendo ao longo de todo o livro, mas o verdadeiro protagonista é o próprio narrador.

Como se percebe, trata-se de uma obra fortemente autobiográfica, mas o truque de Isherwood, como acontece noutros livros seus, é tratar a sua biografia como uma ficção, de forma que ficção e não-ficção se tornam quase inestinguiveis.

Um dos aspectos interessantes desta obra, escrita antes de The Single Man, onde a homossexualidade é explícita e assumida, em DTOAV a condição sexual dos personagens nunca é mencionada ou explícita. No entanto, desde a primeira página que Isherwood não nos deixa ter a mínima dúvida, sendo aliás uma das obras do autor em que o tema da homossexualidade é mais determinante no evoluir da narrativa.



Mesmo quando não está no seu melhor, a prosa de Rubem Fonseca é ágil e sedutora. Este volume integra duas pequenas novelas, e traz-nos de volta o advogado Mandrake, protagonista de outros livros do autor, e uma das suas criações máximas.



Em mais um dos seus contos morais, Patrícia Highsmith conta-nos neste romance a história da queda de um inocente, no qual o mal acaba sempre por vencer. Super bem escrito, como sempre, com um sentido de humor picado de crueldade. Tudo começa com um cão, que durante o passeio noturno com o dono, é raptado, e pelo qual é pedido um resgate que os donos estão dispostos a pagar.

Pelas minhas contas este é o 12° livro que li da PH. Antes o Goodreads tinha uma funcionalidade que nos permitia saber quais eram os nossos 'most read authors', essa funcionalidade já não está disponível. Com excepção de um ou dois, li-os quase todos em inglês, a PH é um dos autores que mais facilidade tenho de ler no original.



Não atribuo pontos a este número da revista Granta porque a arrumei sem praticamente a ler. Tive aqui a revista à mão durante semanas, de vez em quando folheava-a à procura de um texto que despertasse o interesse, mas abandonava-o ao fim de poucas páginas.



O primeiro volume da série que não foi escrito por Edgar P. Jacobs, é uma bela e entusiasmante aventura de espionagem, sobre uma traição ao mais alto nível dos serviços secretos ingleses.



Uma bela biografia de um dos nomes maiores da cultura portuguesa do século XX. Convoca-se a vida de Cesariny, mas o acento é sobretudo na sua obra e no modo como vida e obra são uma única instância.

E de como ambas parecem tocadas por uma magia que extravasa o "modo funcionario de viver", nas palavras de outro poeta, O'Neill, que também está muito presente neste livro.

Desconheço a extensão dos arquivo do biografado e da pesquisa do biógrafo, mas não me parece que possa haver biografia mais definitiva do que esta da autoria de António Cândido Franco.



Sete personagens para contar, em sete dias distintos, as histórias e as geografias da verdadeira protagonista do romance: a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Mas para contar as histórias é também preciso contar a História, e por isso este romance percorre o arco dos cinco seculos que unem, mas também separam, o Brasil e Portugal.

Admirável é que a autora consiga manter o fôlego narrativo e literário numa obra de tão vasto alcance (embora num registo muito diverso, lembro-me do livro Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro).

Tal com o é a riqueza dos recursos a que a autora recorre para contar, da astronomia à música popular, passando pelas mitologias, pela antropologia, pela cultura urbana, pela política e pelos movimentos políticos, etc, etc etc. A todos os títulos, um grande romance.
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saturday morning

já não haverá manhãs de sábado
isentas de morte
imaculadas manhãs
estiradas na cama ou no sofá
manhãs em forma de gato
uma playlist para embalar
os livros
torradas com marmelada e
chá preto com leite
o dia lá fora
pendurado à janela
luminoso e azul
manhãs de sábado sem medo
e sem promessas
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the eagle has landed

Assinala-se hoje o cinquentenário da primeira alunagem, protagonizada pela nave Apollo 11 e os seus astronautas: "Tranquility Base here. The Eagle has landed." Eu tinha 7 anos de idade, e a odisseia espacial foi um dos meus fascínio de infância, e que perdurou para o resto da minha vida.

Em 2012, por ocasião da morte de Neil Armstrong, tripulante da Apollo e o primeiro homem a pisar o solo lunar ("That's one small step for [a] man, one giant leap for mankind."), a minha mãe escreveu um texto a recordar a forma como viveu a espantosa aventura da primeira ida do homem à Lua. Já aqui pus esse texto, mas hoje é um dia bom para o voltar a ler.

"27/08/2012
Como se pode verificar desde 2010 que não escrevo nada. Mas aparece alguma notícia inesperada e, de repente, lembranças de uma época vivida num 'mundo' diferente do actual, despertam todas as nossas energias e, sem darmos por isso, somos transportados ao passado. Um passado bonito, cheio de coisas bonitas, com muitas pessoas bonitas, de que temos muita saudade. O que veio transportar-me ao passado nem sequer foi uma notícia agradável. Morreu NEIL ARMSTRONG, o primeiro homem a pisar a Lua. E isto fez o meu pensamento recuar 43 anos. Na cidade de Nampula (Moçambique), o Pavilhão do Clube Ferroviário estava lotadíssimo porque a Diva do Fado AMÁLIA RODRIGUES iria cantar, numa noite há muito tempo esperada. Aliás, sempre que um artista visitava uma localidade afastada do centro cultural da cidade de Lourenço Marques, era recebido com o grande calor das pessoas sempre prontas a manifestarem o seu apreço. Mas voltemos ao assunto principal do recuo da minha memória e de ter invocado o nome de Amália. Líamos, falávamos, ouvíamos noticiários do Rádio Clube de Moçambique sobre a ida dos cosmonautas à Lua. O que verdadeiramente as pessoas presentes naquele inesquecível espectáculo não esperavam, seria alguém entrar no palco, falar ao ouvido de Amália e, esta Senhora anunciar o grande feito do Século XX. NEIL ARMSTRONG acabava de pisar a LUA! A ovação foi enorme. No lindíssimo palco estavam todos de pé, os milhares de pessoas presentes naquele Pavilhão transformado em grande sala de espectáculos, ovacionavam emocionados. Um assunto que não é relevante para pessoas que não viveram num mundo muito especial nem sequer tiveram conhecimento do que ali se passou naquela noite mágica. Quantas pessoas espalhadas pelo mundo ainda se lembrarão destes momentos emocionantes? Isto tudo que aqui escrevi foi um regresso ao passado que me deixa feliz por poder constatar que a minha memória ainda não me atraiçoa e viaja por lindos 'mundos' que durante muito tempo me fizeram viver o que de belo há na vida: ser jovem, ter amigos, estar inserida numa bela sociedade, uma família muito unida - um por todos e todos por um! Hoje, com 81 anos, tenho uma vida de acordo com a idade, com os achaques normais para a idade, mas esquecida pela grande parte das pessoas que conheci quando cheguei a Coimbra. No entanto, o nível de vida que tenho é superior ao normal nas pessoas na minha condição de 'refugiada'… A grande felicidade de ser cuidada por um filho que me enche de felicidade; o marido, com 83 anos mas já com muita falta de memória mas sempre um bom companheiro. Enfim, uma vida ainda com algo de interesse. É curioso como uma notícia do jornal veio despoletar o desejo de manifestar desta maneira as recordações que estavam muito arrumadinhas nas gavetas da minha memória. Oxalá o meu filho queira ler isto e possa entender quanto fui feliz nestes momentos. Voltarei com mais recordações se o Bom Deus me ajudar."
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há um ano

O dia hoje começou muito cedo com uma ida ao hospital para tratar de procedimentos prévios à cirurgia. Foi aventada a possibilidade de eu ter de ser internado uns dias antes da intervenção, para fazer profilaxia com antibióticos. O cateter da minha urostomia entope com facilidade e de cada vez que isso acontece fico com febre, o que significa que se desencadeia ali um processo infeccioso.

Há um ano, estava internado no hospital, tinha feito a nefrectomia há uns dez dias e estava a recuperar. No dia 18 ao final da tarde tive a notícia de que o meu irmão, em Moçambique, estava muito mal. No dia 19, acordei com a notícia de que tinha morrido nessa noite.

Há dias na nossa vida que não conseguimos esquecer. Momentos em que a angústia atinge um paroxismo, e parece que ficam para sempre a vibrar na nossa mente como uma ferida aberta. Infelizmente nos últimos anos tenho vivido alguns momentos desses, mais do que aqueles que eu suporia que conseguisse aguentar. E tenho muito medo que o futuro próximo me guarde mais momentos desses.

Na noite que se seguiu não dormi nada, perturbado com a notícia da morte do meu irmão, e com alguns telefonemas aflitos que recebi de amigos, alguns muitos antigos e longínquos, que ouviram a notícia e me telefonaram sem fazerem ideia da situação em que eu estava. No dia seguinte tive alta, mas nas primeiras noites em casa continuei sem conseguir dormir, sempre a pensar no assunto.

A pensar na morte do meu irmão, na tristeza que a minha cunhada e os meus sobrinhos estariam a sentir. Mas também a pensar na minha forma de lidar com a morte do meu irmão. Sozinho, doente, afastado do resto dos familiares mais próximos, foi muito difícil fazer a catarse e o luto dessa perda. Ainda hoje sinto que me ficou a faltar alguma coisa, que houve uma vivência qualquer que me escapou, e que tivesse ajudado a sarar essa ferida e a reconciliar-se comigo mesmo. Por isso, ainda hoje sinto a morte do meu irmão como mais uma das perdas que a doença me infligiu. E talvez seja isso que me leva a, no meio do meu próprio sofrimento e da minha angústia, por vezes esquecer as saudades que eu tenho de ter um irmão, de ter o meu irmão.
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breve

Vou brevemente fazer mais uma cirurgia. Vai ser uma cirurgia muito radical, por ser uma cirurgia major, mas sobretudo porque vai significar uma alteração muito grande, desmesuradamente grande, na minha vida, tornando o meu futuro numa enorme, e um pouco assustadora, incógnita.

No passado dia 9 fez um ano que fui sujeito a uma nefrectomia, à esquerda, e agora vou fazer outra, ao rim direito. Ou seja, vou ficar sem rins, o que significa que vou ter de fazer hemodiálise. Estou preocupado com a cirurgia e com o período pós cirúrgico. Mas estou principalmente apreensivo com o que vai acontecer a seguir. Com a forma como me vou adaptar à diálise, como o meu corpo vai reagir aos tratamentos. E também com as alterações que o meu modo de vida vai ser condicionado pela necessidade de fazer diálise.

Agora que sei a data da cirurgia, a angústia e o medo são maiores, e mais concretos. Crescem a cada dia. É uma contagem decrescente em termos de tempo, mas crescente em termos de preocupação. Tenho de me esforçar por me distrair com outras coisas, porque quando começo a pensar muito no que se vai passar, o meu peito quase rebenta de angústia e de ansiedade.
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I wanted to dance

Há já algum tempo cruzei-me com um poema de Allen Ginsberg de que gostei muito, e que me ficou na memória. Há uns dias, a propósito de uma leitura, lembrei-me desse poema. Essa leitura estabelecia uma relação entre o poema e a Patti Smith e o Philip Glass.

Lembrei-me de que já tinha lido o poema de Ginsberg, que era uma espécie de elegia a um sacerdote indiano, que tinha ficado impressionado com o poema, mas não me conseguia lembrar de mais nada de concreto, nem do título nem de nenhum verso. Tentei pesquisar na Internet, procurei em sites com poemas do autor, mas não consegui encontrar o poema.

Hoje apareceu no mural a memória de um post do Facebook de 2010 com os versos finais desse poema. Claro que com essa ajuda encontrei logo o poema, bem como o clip com a gravação da PS com o PG, que infelizmente não tem grande qualidade técnica.

Quer o poema de Ginsberg quer a gravação são maravilhosos e guardo-os aqui para não os tornar a perder.



ON CREMATION OF CHÖGYAM TRUNGPA, VIDYADHARA

I noticed the grass, I noticed the hills, I noticed the highways,

I noticed the dirt road, I noticed car rows in the parking lot

I noticed ticket takers, I noticed the cash and checks & credit cards,

I noticed buses, noticed mourners, I noticed their children in red dresses,

I noticed the entrance sign, noticed retreat houses, noticed blue & yellow Flags—

noticed the devotees, their trucks & buses, guards in Khaki uniforms

I noticed crowds, noticed misty skies, noticed the all-pervading smiles & empty eyes—

I noticed pillows, colored red & yellow, square pillows and round—

I noticed the Tori Gate, passers-through bowing, a parade of men & women in formal dress—

noticed the procession, noticed the bagpipe, drum, horns, noticed high silk head crowns & saffron robes, noticed the three-piece suits,

I noticed the palanquin, an umbrella, the stupa painted with jewels the colors of the four directions—

amber for generosity, green for karmic works, noticed the white for Buddha, red for the heart—

thirteen worlds on the stupa hat, noticed the bell handle and umbrella, the empty head of the cement bell—

noticed the corpse to be set in the head of the bell—

noticed the monks chanting, horn plaint in our ears, smoke rising from atop the firebrick empty bell—

noticed the crowds quiet, noticed the Chilean poet, noticed a Rainbow,

I noticed the Guru was dead, I noticed his teacher bare breasted watching the corpse burn in the stupa,

noticed mourning students sat crosslegged before their books, chanting devotional mantras,

gesturing mysterious fingers, bells & brass thunderbolts in their hands

I noticed flame rising above flags & wires & umbrellas & painted orange poles

I noticed the sky, noticed the sun, a rainbow round the sun, light misty clouds drifting over the Sun—

I noticed my own heart beating, breath passing thru my nostrils

my feet walking, eyes seeing, noticing smoke above the corpse-fir’d monument

I noticed the path downhill, noticed the crowd moving toward buses

I noticed food, lettuce salad, I noticed the Teacher was absent,

I noticed my friends, noticed our car the blue Volvo, a young boy held my hand

our key in the motel door, noticed a dark room, noticed a dream

and forgot, noticed oranges lemons & caviar at breakfast,

I noticed the highway, sleepiness, homework thoughts, the boy’s nippled chest in the breeze

as the car rolled down hillsides past green woods to the water,

I noticed the houses, balconies overlooking a misted horizon, shore & old worn rocks in the sand

I noticed the sea, I noticed the music, I wanted to dance.


- Allen Ginsberg
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mais filmes

18. KING COBRA, de Justin Kelly. Com Christian Slater e James Franco. Quer ser um thriller “Sundance” , passado no meio da indústria da pornografia gay norte-americana, mas tem pouco ritmo e densidade. ***

19. ROLLING THUNDER REVUE: A Story of Bob Dylan, de Martin Scorsese. Baseado em filmagens reais feitas durante uma digressão de BD em 1975, Scorsese constrói uma espécie de falso documentário, misturando testemunhos reais co outros ficcionais. O melhor do filme são mesmo as sequências dos concertos e as canções de Dylan. ****

20. MISTERY MURDER, de Kyle Newacheck. Com Adam Sandler e Jennifer Aston. Fraco, muito fraquinho, apesar do mérito de recuperar um género que caiu em desuso, a comédia policial, de mistério, nomeadamente as versões para cinema dos livros de Agatha Christie. ***

21. DUMBO, de Tim Burton. Com Colin Farrell, Michael Keaton e Danny DeVito. Longe do Burton Vintage que conhecemos de antigamente, tem, todavia, as marcas autorais reconhecíveis, nomeadamente na forma e na perspectiva com que aborda uma das clássicas criações da Disney. ****

22. OUT OF AFRICA, de Sidney Polack. Com Meryl Streep e Robert Redford. Um dos meus filmes preferidos. Já vi dezenas de vezes e continuo sempre a sentir um nó na garganta quando, no final, Karen é convidada a beber um whisky no clube exclusivo. *****

23. RED JOAN, de Trevor Nunn. Com Judy Dench. Tanto desperdício, que pena. Uma história de espiões verdadeira fantástica. O talento imenso de Dame Judy Dench. Trevor Nunn é um dos encenadores ingleses de primeira classe, foi dirigida por ele a melhor versão que eu vi do musical My Fair Lady, mas esta sua incursão pelo cinema é desastrosamente aborrecida, conseguiu o que pareceria impossível, que foi estragar uma história excitante e interessante. Chato! ***

24. THE TERMINAL, de Steven Spielberg. Com Tom Hanks e Catherine Zeta-Jones. É sempre bom rever este que é um dos meus filmes preferidos de Spielberg. Tom Hanks é, como sempre, o mais James Stewart'iano dos actores actuais. Mas, para mim, a vedeta do filme é o próprio set, o terminal do aeroporto onde decorre praticamente toda narrativa, e que a câmara de Spielberg explora com agilidade e um incrível sentido do espaço.*****

25. BURLESQUE, de Steven Antin. Com Christina Aguilera e Cher. Não há nada pior do que um musical enfadonho. Os melhores momentos foram aqueles em que coreografia fazia lembrar o Bob Fosse. ***