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preocupo-me, logo existo
rosas
innersmile
Espero que isto não soe muito pretensioso, mas às vezes leio textos antigos aqui do innersmile, e fico admirado porque acho que estão muito bons, bem escritos e bem pensados. Fui ontem ao auditório do Conservatório de Coimbra assistir a ‘Preocupo-me, Logo Existo’, uma peça com textos de Eric Bogosian, com direcção cénica de Natália Luiza e interpretada pelo Diogo Infante.

Eu lembrava-me de que já tinha visto um espectáculo muito parecido, também do Diogo Infante e com textos do Bogosian. Pesquisei nos arquivos do innersmile e encontrei este texto, escrito no dia 23 de Outubro de 2001 (era este diário muito novinho):

Ontem, no Gil Vicente, Sexo, Drogas e Rock'n'Roll, de Eric Bogosian. O Diogo Infante é realmente um actor admirável, que, apesar de ter uma carreira limpa no cinema e na TV, encontra no palco o seu verdadeiro modo de expressão. Segura a peça, controla os personagens e domina o tempo. Do texto confesso que já não gostei assim tanto. Acho-o um bocado datado (mesmo não sabendo exactamente quando foi escrito), localizado e totalmente desprovido de subtileza. Além disso, parece-me que havia (culpa do texto?) um certo mal-entendido entre a peça e a plateia: esta achava que a peça era cómica e agia em conformidade: risos quando não havia motivo para rir, aplausos quando a piada tinha realmente piada!; a peça era, como esperável num texto do EB, não tanto cómica como cínica, ácida e amarga. Claro que num registo de humor, mas há uma certa diferença entre um olhar irónico e mordaz sobre a realidade e os registos tipo 'conversa da treta', que, quer-me parecer, foi mais o que o público leu.

Podia repetir quase tudo o que aqui escrevi a propósito da peça de ontem. E digo quase porque, ao contrário, desta vez gostei bastante dos textos do Eric Bogosian, pelo menos de quase todos (houve dois que achei mais fraquitos). Adorei o monólogo do diabo, e achei fabuloso o texto do último (o que termina precisamente com a frase que dá título ao espectáculo).
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mas tu escreves mesmo muito bem!

é do treino, Margarida: passo os dias a escrever ofícios e relatórios :)

É curioso que esta semana andei a fazer uma busca acerca de uma fito do livro que acabei de ler, do Jim Grimsley, "Pássaros de Inverno" e o Google levou-me a um texto teu antigo da crítica que fizeste ao livro, quando o leste. E a minha opinião coincide precisamente com a tua. Este foi o primeiro livro dele e nesses texto falas na vontade de leres o livro dele que tinha saído ou ia sair e também de que a personagem principal do narrador deste livro, o rapaz hemofílico ser mais tarde o protagonista de um outro livro dele, suponho que seja "Como me afoguei".
Isto tudo só para referir que o teu blog, na sua já longa existência tem múltiplos motivos de interesse.

acho isso fantástico, João, é das coisas que mais gozo me dá em escrever aqui, essa hipótese de alguém andar à procura de alguma coisa e ir para a um texto que eu escrevi há muito tempo. bem-hajas por mo teres dito :)

a teorema editou, há uns anos, uma série de livros dele, alguns bem interessantes.

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