![[icon]](http://l-userpic.livejournal.com/529600/280649) |
um voo cego a nada - o acordo
|
| | Tags: | crónica | | Subject: | o acordo | | Time: | 03:24 pm |
|
| Apesar de ser um tema que me interessa, não consigo ter uma opinião muito firme e definitiva acerca do acordo ortográfico. Acho que é uma daquelas questões em que todos têm uma quota parte de razão, e em que, no calor do debate, é muito fácil começar a forçar os argumentos e perder essa razão toda.
Digamos, para balizar a questão, que não me parece em absoluto necessário um acordo internacional que uniformize a grafia das palavras em português, embora me pareça fundamental que haja uma norma que consagre uma espécie de grafia padrão e eventuais variantes. Pode parecer a mesma coisa mas, pelo menos na minha ideia, não é. Um acordo ortográfico pretende, através do compromisso entre as partes acordantes, estabelecer em definitivo (enfim, enquanto dure, claro) uma determinada grafia que deverá ser adoptada por todos os que utilizam a língua escrita. Uma norma diz-me que podendo embora haver várias maneiras de grafar a palavra, há uma (ou duas ou três ou quantas forem) que do ponto de vista semântico ou gramatical ou etimológico é a mais adequada. Um pouco como os certificados de qualidade: eu posso fazer as coisas de diversas maneiras mas se isto tem um certificado de qualidade eu posso estar garantido que foi feito da maneira mais adequada.
Agrada-me a ideia de haver um livro qualquer (ou um site da net, vamos lá) que me diga como é que se deve grafar o superlativo absoluto sintético de bom, embora eu me queira reservar o direito de escrever óptimo ou ótimo conforme o uso do lugar onde estou ou conforme escrevem os escritores da minha terra.
Agora o que me irrita supinamente é o nacionalismo serôdio que vem agarrado à maior parte dos argumentos avançados contra o acordo ortográfico que foi estabelecido pelos países de língua oficial portuguesa, e em processo de ratificação por Portugal (razão de toda esta polémica, já que o texto inicial do acordo data de 1990), e que visa terminar com a dupla variante gráfica da língua portuguesa, a que é usada no Brasil e a que é usada nos restantes países. Incomoda-me que os portugueses guardem alguns tiques de superioridade em relação a todos aqueles povos cujas terras nós colonizámos, e que se julguem os donos da língua ou mesmo da cultura lusófona.
E incomoda-me porque de facto isso não traduz nenhum sentimento de superioridade, mas, ao invés, dá voz ao enorme complexo de inferioridade que os portugueses hoje sentem por terem sido tão importantes no mundo e hoje serem tão pouco determinantes. A verdade é que Portugal já foi dono do mundo (se é que de facto o foi alguma vez) mas não é capaz, hoje em dia e desde há muito tempo, de dar a volta a si próprio e assumir qualquer papel de liderança no concerto das nações. Nem na Europa nem fora dela. Não somos capazes de ser líderes, embora não o assumamos e estamos sempre a menosprezar os outros e a inventar desculpas para a nossa cepa torta.
E se já estamos mais ou menos conformados em ser o carro vassoura dos alemães ou dos franceses ou dos ingleses ou dos espanhóis (ui, o que isso nos doeu!, mas já nos habituámos) e qualquer dia dos polacos e dos húngaros também, a verdade é que nos custa muito aceitar sermos ultrapassados por todos esses povos a quem até há poucas décadas ou até há poucos séculos, tratávamos com o paternalismo autoritário e benevolente com que as patroas tratavam as criadas.
E o que nesta reacção ao acordo está em causa é que para muitos portugueses ele é a confirmação oficial de que o Brasil hoje em dia é um país incomparavelmente mais importante no xadrez do mundo do que o nosso Portugal. Ou melhor, o que está em causa é nós reconhecermos isso, é assumirmos que o Brasil já não é apenas um país mais importante e influente do que o nosso, mas até já nos lidera a nós! E de que já não servem as desculpas de que o Brasil tem muitas riquezas e recursos naturais, pois até na própria cultura, até na língua, esse património de Camões e de Pessoa, hoje em dia são os brasileiros que influem, que determinam, enfim que lideram. | comments: Leave a comment  |
| A haver algum neo-colonialismo não seria da parte dos portugueses. Como já disse vou continuar a escrever como aprendi, até, provavelmente, com os mesmos erros e, quem sabe, se desta vez o erro se tornou a norma:D | | (Reply) (Thread) |
| | pois, neo-colonialismo não há, até porque a maior parte dos portugueses pura e simplesmente não ligam nenhuma aos nossos partners in tongue africanos. e mesmo do Brasil só querem saber das praias do nordeste. | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| | Toda a gente sabe que o Brasil é um país muito mais importante do que Portugal, já ninguém tem dúvidas, mesmo Angola já se está a tornar um país mais importante de Portugal. | | (Reply) (Thread) |
| Eu não concordo com o acordo; não tenho um argumento válido e decisivo, apenas porque não. Se calhar porque tenho uma licenciatura em línguas e literaturas - coisa tão banal - e passaram-me pelas mãos vários "portugueses": brasileiro, angolano, moçambicano, arcaico, renascentista e et cetera. A evolução da língua é um fenómeno interessante de se observar e a evolução (de qualquer língua) faz-se sempre pela oralidade, nunca pela escrita - a escrita apenas acaba por firmar (já a língua evoluiu há "muito") aquilo que já é falado. Uniformizar a grafia de uma língua é o mesmo que dizer que somos todos iguais, e não somos. Eu gosto de olhar para um texto e ver as diferenças de "origem"; não gosto de uniformidades.
Se alguém estiver interessado, segue o link para a petição dos "anti"-acordo. A iniciativa é de vários "conceituados" portugueses ligados à língua e à literatura, alguns deles foram inclusive meus professores na faculdade. Passo a "publicidade" (ps - miguel, se não quiseres o teu espaço de comentários "sujo" com links alheios, estás à vontade para apagar este! Compreenderei. ;)):
http://www.ipetitions.com/petition/manifestolinguaportuguesa | | (Reply) (Thread) |
| à vontade quanto aos comentários com links alheios :) mesmo os que não subscrevo. quer dizer, dentro de certos limites, claro :)
precisamente, o que me incomoda no AO é mesmo eu gostar da diversidade, e de as pessoas escreverem de maneira diferente. mas reconheço que deve haver uma norma, um padrão, sei lá. digo, que não percebo nada do assunto. | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Bom, tenho evitado, ao máximo, tocar no tema AO. Há 18 anos quando o acordo foi feito, eu era totalmente contrário. Hoje, há um ponto, que por sinal vejo ali colocado pelo Inners e que para mim tem a maior validade. É necessário que haja uma referência actualizada. Todos queremos e devemos procurar escrever com a maior correcção. Os meios à disposição são cada vez mais poderosos (computadores, processadores de texto) e a existência de referências sólidas e validadas é muito útil. Só não vejo necessidade é de um acodo que uniformize. Preferia que o acordo validasse as diversas variantes já existentes e, se necessário, apresentasse as regras de cada variante em paralelo, dando-lhes a maior autonomia possível.
Se virmos, qualquer dicionário da Microsoft ou da Mcintosh têm cerca de 20 variantes de inglês, várias de francês e de espanhol e só duas de português. Não vejo qq mal em que isto se mantenha.
Quanto aos parágrafos Masoch do Inners, tão cheios de pena de nós não subscrevo nada mas, faz parte da "ladainha" tradicional... :-P
Não vejo onde é que o 27º país mais rico do mundo (Portugal) tenha de lamentar o que quer que seja...
Entendo o espanto dos alemães e dos suiços quando vêem a facilidade com que os portugueses ou os holandeses, se dão com toda a gente e eles não conseguem dar-se com ninguém.
O drama dos espanhois que são mal recebidos em qq lado, assim que dizem que são espanhóis, por exemplo na UE ou em qq instância internacional, por serem fechados, teimosos e insolentes... E a facilidade com que os portugueses são bem recebidos e respeitados em qq parte do planeta.
Ainda agora em NY quando sabiam que eramos portugueses e não espanhóis, as expressões mudavam de imediato. De cerradas para alegres e simpáticas. Tivemos belos jantares, à pala, que os espanhóis não teriam comido, pela certa. | | (Reply) (Thread) |
| | não percebo onde leste parágrafos masoch cheios de pena de nós próprios, mas devo ter-me expressado mal. problemas de português, é o que é ;) | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Inicialmente reagi mal mas bem vistas as coisas as alterações não serão assim tão significativas, afinal de contas os meus pais ainda escreveram farmácia com ph e tiveram que passar a escrever de uma outra forma e mal nenhum daí veio. Creio que uma lingua é um património dinâmico, não pode ser estático, não o foi ao longos dos tempos.
Agora, não consigo evitar a comparação EUA/UK, por um lado os norte-americanos não procuraram alterar a lingua base, ok há expressões que diferem mas school bus é-o nos dois lados do Atlântico, ninguém criou um ónibus e também ninguém força os britanicos a adoptar expressões vulgarizadas nos EUA, não há uma guerra bollocks-bullshit.
Agora a questão de ver na aceitação do acordo uma cedência de posição, ou um reconhecer de importância ao Brasil é um facto que é isso que incomoda muitos portugueses, mas incomoda mal porque não há nenhuma cedência e muito menos reconhecimento porque o Brasil continua a ser a eterna promessa, já o era nos setentas do século passado em que se dizia que "estudos apontam" o Brasil como uma potência de primeira linha no ano 2000... O que é o Brasil? É uma faixa que geográficamente se estende do Rio até São Paulo onde vivem 15 milhões de pessoas (dos 25 milhões que totaliza essa faixa) com um nível de vida que se aproxima do nível europeu, que se aproxima, atenção, o resto é miséria, fome, favelas, pobreza e corrupção. Mas continua a ser uma promessa, ok, faça-se a revolução energética e acabe-se com a dependência dos hidrocarbonetos e adeus promessa, adeus etanol (que não é hidrocarboneto mas destina-se à combustão interna que se pretende eliminar) e adeus petróleo, ficam futebol e telenovelas (mas estas últimas contam como produção negativa :p). Mal dos males e com o muito de errado que existe em Portugal, levamos ainda um avanço de anos-luz face ao Brasil, Angolas e afins é bom que se clarifique esta confusão.
Ah e Portugal não é nada no mundo, é um pequeno país com 850 km de comprimento, 12 milhões de habitantes e a pior classe politica do mundo (ok, talvez a Brasileira seja ainda pior...), nunca poderá ter peso ou importância mundial como outros porque estas coisas medem-se pelo numero de habitantes do qual se extrai o numero de contribuintes, e maior numero de contribuintes numa demacracia a sério, com classes politicas sérias resultam em crescimento e desenvolvimento por isso não será de estranhar que outros países mais populosos que Portugal e que recentemente aderiram á CE nos possam, em breve, vir a ultrapassar. Os males dos quais nós padecemos, padece também o Brasil mas muito mais amplificados além de que têm a desvantagem de ter partido muito mais detrás e tem o infortunio de não ter um policia com nós temos, a UE, para os corrigir. Portanto a importância do Brasil para já reside numa promessa que se eterniza e vale aquilo que todas as promessas valem, nos factos reais a importância é irrisória, tal como a nossa. | | (Reply) (Thread) |
| A classe política brasileira É a pior, não tenha dúvidas... ;-)
Gostei do seu veneninho em dizer que o Brasil é a faixa que compreende o pedaço entre Rio e São Paulo. Você não está longe da verdade... Mas leve em conta dois outros pedaços: o Rio Grande do Sul e o centro-oeste (Mato Grosso, Mato Grosso do Sul - de fato, o "celeiro" mais importante do Brasil - e cada vez mais o será).
Sou contra o A.O. por duas razões muito simples. A primeira, de ordem intelectual: acho que o Acordo quer unificar realidades muito, muitíssimo distintas. Não é porque os portugueses passarão a escrever "fato" ao invés de "facto" que a nossa e a vossa realidade aproximar-se-ão. A segunda razão é de ordem emocional: o Acordo não vai servir para uma maior aproximação entre nossos dois países (Brasil/Portugal) e, num segundo momento, entre nós e os demais (Moçambique, Angola, Cabo Verde, etc.). O fato é que Portugal está CAGANDO para o Brasil e o Brasil, por sua vez, está CAGANDO para Portugal. Aqui a coisa é uma estrada de mão dupla. O Brasil não consegue enxergar Portugal porque está de olho em "caça" muito maior: os EUA, a França, a Alemanha... Portugal, por sua vez - bem, não sei porquê Portugal não se interessa pelo Brasil. Meu conhecimento da mentalidade portuguesa é pífio, quase inexistente. Talvez porque Portugal está por demais imerso em sua própria melancolia, em sua própria espera (metafórica) de um Messias qualquer que o redima e o recoloque no topo do mundo. Ou, talvez, pelas razões expostas pelo Inner em seu post. Sou muito delicado pra falar da "arrogância dos portugueses" uma vez que só recebo carinhos e afagos dos meus...
É uma pena: acho que nossos dois países tinham TUDO a ganhar numa maior aproximação. O Brasil lucraria muito com os séculos de "sabedoria" político-administrativa portuguesa (afinal, somos um bebê de só 500 anos!) e Portugal receberia sangue novo, uma nova juventude, "gás renovado", como dizemos aqui.
Quem sabe daqui a 100 ou 150 anos (se o planeta durar até lá)? Talvez os portugueses e os brasileiros de então sejam mais sábios do que nós somos...
P.s.: Aviso àqueles que são de fora daqui: o Brasil está num acelerado processo de metamorfose. Ainda não consegui entender muito bem o que está a se passar, só sei que algo se passa - e na velocidade da luz. Também não sei se aquilo que emergirá do casulo é uma borboleta ou uma aberração. Talvez seja os dois. Estou dizendo isso porque, para entender o Brasil de HOJE, é preciso botar de lado um instante idéias pré-concebidas que se tinha (e eram mais ou menos acuradas) há não mais do que 2 ou 3 anos... Os portugueses que tenham, por mínima que seja, certa curiosidade a nosso respeito devem ficar atentos. O que o Brasil, como país, era há 5 anos não é mais o que ele é atualmente. | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Por acaso recentemente num voo Paris/Lisboa vim o tempo todo na conversa com um empresário brasileiro que me disse exaCtamente isso, que o Brasil está num processo acelarado de transformação. Espero que o Brasil consiga ultrapassar os problemas estruturais que tem mas receio que seja preciso o tempo de uma geração para que tal aconteça devido ao problema da miséria/favelas e do tipo mentalidade que lhes está associada, de qualquer forma é preciso começar. Sem dúvida que uma maior aproximação só traria beneificios de parte a parte e também é verdade que esta rivalidade estupida é muito superficial pois já estive em lugares do mundo onde encontrei brasileiros e a verdade é que houve de imediato uma empatia, aproximação e cumplicidade que destacava a nossa relação face à relação que tinhamos com os demais de outras nacionalidades. No fundo somos mesmo irmãos mas tal como dois bons irmãos de sangue vivemos um dia-a-dia de picardias e provocações.
| | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Somos como Abel e Caim... ;-)
Também concordo com você que temos de dar tempo ao tempo pra ver se essas mudanças são realmente pra valer, ou se é só - como insinuam alguns - fogo de palha (ou seja, só aparência). | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Só para dizer que gostava muito que essa transformação de que falas, no teu PS, se concretizasse.
Há muitos anos que ciclicamente se fala nessa transformação. Relembro belos discursos de "mudança certa" de Juscelino Kubitschek de Oliveira, ou menos belos mas igualmente inflamados discursos de Carlos Lacerda. As promessas de Collor de Melo ou de Lula da Silva...
Eu vou com muita frequência ao Brasil, ao Brasil do Rio a S. Paulo, e também "às suas colónias" da Baía, de Fortaleza ou de Porto Alegre. Ainda aí estive no ano passado e, como bom familiar (não digo filho ou irmão para não ferir susceptibilidades), gostava que finalmente deixasse de ser a "eterna promessa" e passasse a ser uma "real realidade". Todos sentimos o Brasil como um parente querido e a sua confirmação como parte importante deste planeta, só nos encheria de orgulho.
Eu falo por mim mas acho que os portugueses olham sempre com MUITA atenção para o Brasil. Eu devoro tudo o que ao Brasil diz respeito e SEMPRE com orgulho. | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Ah, mas você não vale: é um homem muito ilustrado, muito culto. Será que todos os portugueses têm tanto interesse assim no Brasil? Acredito que o "português médio" (se é que existe tal entidade) não tá nem aí pro Brasil :-)
Também gostaria muito que as mudanças fossem pra valer. Ainda não dá pra saber se são, mas quem sabe talvez só o próprio movimento de simular que as coisas estão mudando dê um impuslo irrefreável e, à força de tanto fingir que sim, elas comecem a mudar de verdade...
O problema é que temos um sistema político dos mais corruptos (eu diria O mais, mas como nunca saí do Brasil não posso ter a pretensão de afirmá-lo com tanta certeza), e enquanto ele estiver vigindo não vai ser nada fácil as coisas mudarem duradouramente pra melhor :-( | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| | Uma coisa é certa os portugueses sabem muito mais acerca do Brasil do que os brasileiros sabem acerca de Portugal, é claro que as cinquenta novelas brasileiras que passam diáriamente na tv portuguesa contribuem muito para isso, de resto seria curioso alguém estudar o impacto que as novelas brasileiras tiveram na mentalidade dos portugueses. Eu ainda recordo nos setentas e oitentas do século passado ter visto alguma vozes (supostamente defensoras da moral cristã e não só) insurgirem-se contra a libertinagem das novelas brasileiras. Estas influenciaram alguma da moda feminina da época, os cortes de cabelo, algumas expressões e trejeitos das personagens mais marcantes eram activamente adoptadas pelo grosso da população e arrisco mesmo dizer que de alguma forma ajudaram a liberar a mulher portuguesa, enfim não tenho duvidas que as novelas brasileiras marcaram e influenciaram o Portugal pós 1974 até meados da década de oitenta. Foi giro :-) | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| É verdade: o brasileiro não sabe muito sobre Portugal, infelizmente. Atualmente conhece apenas o Saramago. Se lhe perguntassem o nome de algum outro português célebre ainda vivo, era capaz de não saber citar outro que não o ilustre escritor. Talvez - mas tenho dúvidas - se lembrasse do Mário Soares.
Eu mesmo só comecei a aprender mais sobre Portugal depois que criei o Opiário e conheci o Innersmile. Agora, considero-me "especialista" em alguns poucos assuntos a respeito de Portugal. Sobre política, não entendo grande coisa, mas conheço mais da literatura... :-) | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| LOL... não me chames essas coisas que me deixas "encabulado"...
Olha que não, a maioria do povo português segue com simpatia e alguma atenção o que aí se passa. Os "media" estão sempre muito atentos, à política e à vida artística brasileira.
Mesmo a recente vaga migratória brasileira, que naturalmente causou alguns problemas sociais, semelhantes aos que vagas dessas sempre causam, não inverteu de forma significativa essa genérica atenção e interesse.
Basta pensar nos lucros da TAP nos últimos 7 anos, à custa das várias dezenas de vôos diários, cheios de turistas portugueses para o Rio e o Nordeste, para perceber o interesse dos portugueses pelo Brasil. E garanto que quem viajar num vôo desses não vê a élite portuguesa la sentada.
É impressionante mas, num país com a dimensão turística do Brasil, os 10 milhões de portugueses que somos, colocam Portugal como o terceiro maior fornecedor anual de turistas, em volume de entradas.
http://www.portalbrasil.net/2008/reportagens/turismo_no_brasil_origem.htm | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Não fique encabulado: não estou dizendo nenhuma inverdade ;-)
Olha que essa informação eu não conhecia! Sei que os portugueses são alguns dos principais investidores estrangeiros no Brasil (a Vivo, uma das maiores empresas de telefonia celular daqui, é mezzo espanhola, mezzo portuguesa), em vários setores: telefonia, hotelaria, etc.
Embora viva no Rio de Janeiro - que é suposto ser uma cidade turística - tenho pouquíssimo contato com estrangeiros, principalmente, acho eu, porque raramente vou à Zona Sul (onde eles se concentram). Sou um suburbano, como se diz aqui: minha vida se circunscreve aos subúrbios 99% do tempo. Duvido que vá encontrar, por exemplo, um francês no bairro onde moro. Um português é mais fácil: basta dar um pulo à padaria da esquina ;-) | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Os subúrbios do Rio são imensos, já saí de carro, várias vezes, em direcção a Angra, a S. Paulo ou para norte e andamos, muitos kilómetros, vendo subúrbios ao lado das estradas.
Aprendi que se come muito melhor e mais barato nos restaurantes desses subúrbios, do que no rodízio de peixe do Marius no Leme ou na casa da feijoada de Ipanema...
As cadeias hoteleiras portuguesas Pestana e Vila Galé têm feito grandes investimentos e estão muito espalhadas pelo Brasil. Agora é fácil encontrar um hotel português nas principais cidades brasileiras.
Quanto a outros investimentos tem sido uma loucura, penso que não há nenhuma grande empresa portuguesa que não esteja investindo forte no Brasil. Companhias eléctricas como a EDP (dona da Energias do Brasil, da Bandeirante, da Excelsa, da Enersul, da Energest, da Enerpeixe, da Enertrade, de 49% da EnerCouto e de 17% da Investco "Lageado"), de petróleo como a GALP (a Galp partilha 54 blocos de exploração petrolífera com a Petrobras e em 29 deles a liderança é da empresa portuguesa), de telecomunicações como a PT (detem 50% da Vivo), bancos como o BES (dono do BESI e do BESAF) ou a CGD que foi autorizada a abrir um banco universal em Fevereiro passado, empresas de distribuição como a SONAE (que já gere 11 Centros Comerciais no Brasil, mesmo depois de ter vendido :-( à Wal-Mart, a quarta maior rede de supermercados do Brasil, posição que tinha atingido no ano passado sendo dona dos Hipermercados BIG, Nacional Supermercados, Mercadorama e Maxxi Atacado) e finalmente a Brisa (cuja participada no Brasil - a CCR - é a maior concessionária de auto-estradas da América Latina, gerindo cerca de 1.452 quilómetros de estradas). Atenção que isto não é exaustivo, faltam muitas empresas e investimentos pela certa. | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| É, você conhece muito mais do Brasil do que eu de Portugal... :-)
E já percebeu uma coisa importante: realmente se come muito melhor (e infinitamente mais barato) nos subúrbios do que nos lugares chiques e caros... Eu, que sou suburbano, conheço lugares onde posso comer muito bem pagando não mais do que o equivalente a 2 ou 3 euros... | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| (Anonymous) | | Link: | (Link) | | Time: | 2008-05-08 02:55 am (UTC) |
|
| Estás enganado opiário.Portugal é tão ou mais corrupto que o Brasil.Só é é mais pequeno...
rui:alexandre | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| | Teríamos de fazer um cálculo proporcional pra descobrir isso ;-) | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| | Mesmo sendo contra o A.O., caso ele seja promulgado, vou passar a respeitá-lo e mudar a grafia do meu português. Embora entenda as atitudes "rebeldes" daqueles contrários ao Acordo, não acho que no papel de professor eu deva fazer parte da "Resistência" ;-) | | (Reply) (Thread) |
| eu acho que vou passar a dar erros, ainda que involuntários, de ortografia :) | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| (Anonymous) | | Link: | (Link) | | Time: | 2008-05-07 06:10 am (UTC) |
|
| Pode haver todos os argumentos pró-Brasil, nomeadamente o fortíssimo da maioria esmagadora da população; mas a língua mãe é a nossa, porra! Abraço do pinguim | | (Reply) (Thread) |
| pois não concordo, caro Pinguim. a terra é de quem a trabalha, e a língua é de quem a fala (e escreve, obviamente). não tenho nada a certeza de o português que nós falamos ser o, digamos assim para facilitar, mais "puro". mas não há português mais bonito, dos que conheço, do que o falado pelos mufanas de Maputo. abraço | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Bom, mais "puro" não será (gostei das aspas). O português que se fala no Brasil está mais próximo do que se falava em Portugal nos anos 1500. Ainda são usadas lá expressões como "quadris" que nós já substituímos por "ancas" e outros pormenores desses. Que são isso mesmo, pormenores. =D
Sabes que apesar de já ter saído da faculdade há 4 anos, o estudo da língua ainda me fascina. Acho que não aprendi tudo e gosto de ir actualizando-me. Por exemplo, há um projecto interessantíssimo que está na calha há imensos anos mas que, por falta de fundos e de recursos, vai ficando em águas de bacalhau: um Atlas Linguístico, que contempla todas as variedades dialectais do país. Foi ideia original do Lindley Cintra e a que deram seguimento antigos alunos dele - hoje já uns "cotas" cinquentões, um deles familiar meu. Se não houver ninguém a quem passar o legado desta investigação - todo o levantamento e registo acústico já está feito e devidamente registado, falta só acelerar a publicação - é mais uma fonte que "morre" antes de nascer. Claro que seria se calhar do interesse de uma minoria apenas, é um facto, mas não deixa de ser um registo importante, e já agora histórico.
PS - Acredita que não sou uma especialista da matéria! Apenas uma curiosa! E ponho-me para aqui a "tagarelar" até à exaustão porque o assunto puxa-me. ;) | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| | não te safas: ficas nomeada a nossa expert ortográfica para acordos e outros desacordos linguísticos. | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| | Uai, aqui também nós falamos "ancas" (e "quadris")! Só que ancas são mais sensuais do que quadris. A gente nunca diz de uma mulher gostosa que ela tem "belos quadris". Ela tem "belas ancas"... rsrsrs ;-) | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| O português brasileiro é cheio de coisas curiosas... Aqui nós ainda temos a influência das línguas africanas e indígenas, né?, que enriqueceram o "nosso" português...
Sinto-me muito feliz de falar português! É uma língua tão rica, tão musical, tão sensual! | | (Reply) (Parent) (Thread) |
![[icon]](http://l-userpic.livejournal.com/529600/280649) |
um voo cego a nada - o acordo
|
|