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um voo cego a nada - nação valente e... homofóbica?
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| | Tags: | crónica | | Subject: | nação valente e... homofóbica? | | Time: | 12:17 am |
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| O jornal Público divulgou hoje (3 de Maio) alguns resultados de um Inquérito Saúde e Sexualidade (2007), realizado pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e segundo o qual cerca de 70% dos portugueses (o estudo foi feito com rigor e por isso a amostra é representativa) consideram erradas as relações sexuais entre adultos do mesmo sexo. Ou seja, os portugueses são aquilo que já se sabia que eram, homofóbicos. Entre as camadas mais jovens a percentagem desce para os 53%, ainda assim altíssima. Não sei se a escala utilizada era a que fazia mais sentido (as relações entre pessoas do mesmo sexo são totalmente erradas, a maior parte das vezes erradas, algumas vezes erradas ou raramente erradas), por aplicar uma ideia de frequência a uma decisão que é substancialmente do plano da moral. Mas podemos dar isso de barato, pois estou convencido que com esta ou com outra escala, o resultado acabaria por ir bater no mesmo. Confesso que fiquei um bocado perplexo com o resultado. Não que tenha ilusões e pense que vivemos numa sociedade mais tolerante do ponto de vista da moral sexual, mas porque aparentemente vive-se em Portugal um certo clima de descontracção religiosa e de progressismo das mentalidades. Pelos vistos, esse clima é mesmo só aparente. Sempre fomos muito peritos na arte do parece bem, do social e politicamente correcto, das conveniências. E percebemos que fica bem ser-se moderno nas posições que tomamos, evitando desse modo o confronto com os outros e, pior, o seu juízo crítico. Sempre preferimos uma certa concórdia hipócrita e cobarde, à frontalidade e à violência do debate, sobretudo porque não sabemos o dia de amanhã e é sempre melhor estar de bem com deus e com o diabo. Não são os costumes que são brandos, mas a forma como os vivemos e evidenciamos. De certo modo, o que o resultado deste inquérito mostra é que estamos na mesma. À socapa do anonimato revelamos o que de facto nos vai na alma. Por isso, além de perplexo fiquei triste, ou melhor desapontado.
Outro resultado interessante revelado é o de que apenas 0,7% dos inquiridos se coloca na categoria de homossexual, enquanto 3,2 afirmam já ter tido relações sexuais com pessoas do mesmo sexo, e 5% dizem já ter tido contactos com pessoas do mesmo sexo mas sem envolver a área genital. Se é verdade que este resultado nos indica que a questão identitária é sem dúvida a mais difícil de resolver numa sociedade muito determinada pelo juízo social, como a nossa, também nos confirma o que já tínhamos visto anteriormente, que convivemos com relativa facilidade com ambientes moral e socialmente hipócritas, onde apesar de tudo mais vale sê-lo do que parece-lo. | comments: Leave a comment  |
| Estou para aqui cheio de vontade de comentar este teu texto.Não sei como o fazer. Os portugueses são mesmo hipócritas,penso eu.Ainda hoje ouvi: -Mas tu dizes às pessoas o que tu és?-Não digas,para quê,e ainda por cima tu disfarças tão bem-Ó pá deixa-te estar sossegado que ninguém dá por ti. As coisas estão diferentes,a um passo muito lento vão mudando.Tenho pena de morrer sem ver este país um bocado mais sacudido de tanta lenda,tanto heroí navegador,tanto pó ancestral,tanto touro e tanto fado e Carolina Salgado.
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| (Anonymous) | | Link: | (Link) | | Time: | 2008-05-04 03:21 am (UTC) |
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| Segundo li algures (no blog do E.Pitta, talvez), o inquérito enferma de várias limitações, pelo que os resultados poderiam ser outros; de qualquer forma, como bem dizes, revelariam sempre a homofobia reinante. Abraço do pinguim. | | (Reply) (Thread) |
| é o triste país triste em que vivemos, meu caro. ainda bem que cá estamos nós, os 'alegres', para o tornarmos um pouco mais gay and cheerful ;) abração | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| Olha, estou como o Sharigar. É um assunto que dá para anos inteiros de discussão. Creio que ainda são mais perigosas essas meias-tintas, por serem tão manhosas e insidiosas, do que nos outros países que falam abertamente e não figem ter uma mentalidade aberta à mudança dos tempos.
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paulo_eme | | Subject: | Ser e Parecer | | Link: | (Link) | | Time: | 2008-05-04 10:48 am (UTC) |
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| | Também fiquei surpreendido com os resultados! Ou talvez não: a educação/ escola não ajuda e a ausência de referenciais claros, isto é, de figuras públicas de proa que assumam a sua identidade sexual, leva a isto: a que prevaleça a hipocrisia e a homofobia! A realidade, de facto, não nos ajuda em nada! | | (Reply) (Thread) |
| Ó meus caros, os resultados não me surpreendem em nada. Estamos num país onde as pessoas não se conseguem aceitar a elas próprias quanto mais aceitar os outros como eles são. Sad but true. Também "gosto" (estou a ser irónica, claro) daquelas pessoas que condenam as relações entre as pessoas do mesmo sexo porque, um, compromete a reprodução da espécie e, dois, vai contra os princípios de deus. Numa discussão que tive com uma dessas pessoas, respondi isto tendo em conta os argumentos utilizados (que eu só contra-argumento com fundamentos e bases para. Gosto de vê-los a engolir as próprias palavras): ora, um, desconhecia que só tinhas sexo para fazer bébés e, nesse caso, sempre que não engravidas deve ser frustrante... tanto espermatozóide perdido, que chatice; dois, nos tempos idos em que os meus pais tentaram educarem-me católica (aos 13 desistiram) eu tenho quase a certeza que esse deus de que falas disse "amai-vos uns aos outros, como eu vos amei", portanto uma coisa que é boa, como o amor, não deve ser contra esses princípios com que te defendes.
Tínhamos discussão para anos, gerações até. Há muita gente que me faz aquela pergunta parva (que eu quero achar que é retórica...): "e se o teu filho for homossexual?" A minha resposta é sempre a mesma: "o Diogo será sempre o Diogo". Há pessoas que não conseguem amar-se a elas próprias. O problema está aí. Já nem é um problema de mentalidades nem de sociedades. O problema vem de dentro para fora... | | (Reply) (Thread) |
| o teste do filho gay é realmente poderoso. sobretudo porque evidencia o quanto a homossexualidade é para a maioria das pessoas no mínimo uma fatalidade, e no máximo... bem no máximo é isto tudo que vemos. Como se um pai ou uma mãe que não sejam homofóbicos estivessem condenados a ter essa fragilidade de não quererem isso para os filhos. obrigado por teres molhado a sopa na discussão :) | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| (Anonymous) | | Link: | (Link) | | Time: | 2008-05-05 12:02 am (UTC) |
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| Não me deixa surpreendido, apenas entristecido. Já vi estudo que demonstravam uma atitude mais favorável, mas nenhum comparável a estudos feitos noutros paises. A 'tese' que eu tenho em relação à aceitação da homossexualidade pela sociedade é a da amiba:ora contrai ora expande. As pessoas mostram uma maior ou menor aceitação da homossexualidade consoante factores que são um bocado imponderáveis. De qualquer modo estes estudos (quando são sérios) têm pelo menos o mérito de demonstrar uma maleabilidade social que pende mais para uma atitude negativa em relação à homossexualidade do que positiva, mas que revela que a sociedade portuguesa não é estática e por isso pode evoluir. Daí ser importante ter a consciencia de que, as pequenas conquistas que se vão conseguindo, mesmo e sobretudo a nível individual, não são garantidas, para não se ter a ilusão de que a homofobia só toca aos outros e por culpa deles, ou pior, cair na hipocrisia de achar que não existe.
rui:alexandre | | (Reply) (Thread) |
| mas esta parece que contrai mais do que expande ;) ok, não estou a ser inteiramente justo, quem já tem uns anitos e memória, lembra-se bem de como este país era sufocante até há uns 15 ou 20 anos para quem fosse, ou apenas se sentisse, diferente da maioria. | | (Reply) (Parent) (Thread) |
| | Bah. 'Eu aceito mas não me faças conversas e desde que não venham para cima de mim! 'Tá-se bem'' | | (Reply) (Thread) |
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um voo cego a nada - nação valente e... homofóbica?
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