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só uma canção no mundo (ainda a título de inventário)
rosas
innersmile
Como vem sendo habitual nos últimos anos, a música que mais ouvi este ano foi no Spotify. Em casa, e para além da rádio, praticamente apenas oiço música em streaming, cd’s só no carro. E como no Spotify utilizo quase exclusivamente playlists que vou construindo, ando quase sempre às voltas com as mesmas músicas.

Tenho uma playlist a que chamei Saturday Morning, que já vai em quase 14 horas de música e que tem, entre coisas novas e antigas (e outras muito antigas…), álbuns completos de Carrie Rodriguez, Willie Nelson, Charlie Haden, Alison Krauss, Bert Jansch, Linda Ronstadt, The Carpenters, Lila Downs, Bernardo Sassetti, Secos & Molhados, Julee Cruise, Sílvia Pérez Cruz, Elvis Costello, Robert Plant & Alison Krauss, Couple Coffee, Rúben Gonzalez e Beth Gibbons. E como estão sempre a chegar discos novos, a tendência da lista é para crescer.

Relativamente ao discos, estes foram alguns dos discos a que prestei mais atenção ao longo do ano, e que me acompanharam nas viagens de automóvel que fiz.


O primeiro é um disco já antigo da Marisa Monte, de 2011, Tudo O Que Você Quer Saber de Verdade. Descobri-o logo no início do ano, na ressaca de um desgosto de amor, e proporcionou-me a banda sonora perfeita para essa altura: canções de um formato pop perfeito, a abordarem de uma forma leve e divertida temas que para mim eram sensíveis. O desgosto passou, mas o disco da Marisa Monte ficou no porta-luvas do carro.


De certo modo as parcerias autorais desse disco antecipavam o lançamento de um novo disco dos Tribalistas, 15 depois do enorme sucesso do primeiro disco. Apaixonei-me pelas canções à primeira audição e à medida que foram sendo lançadas na rede. Grandes canções, com uma certa vocação universalista, super antenadas com o pulsar do mundo de hoje. A Carminho é co-autora de duas canções e participa na gravação de Os Peixinhos, e dá a gravação um carácter muito especial, com um saborzinho a fado que é inevitável sempre que ela canta. “Sou tão feliz e saudável”, a transbordar de leveza pop e ironia, foi um dos meus mantras este ano.


Tal como aconteceu com o concerto da Sílvia Pérez Cruz a que assisti este ano, também o disco Vestida de Nit foi um dos meus discos do ano. Comprei-o no próprio concerto, e é das poucas música que fez o cross-over: tocou no carro e tocou em casa. Arranjos lindíssimos e a voz e o canto da Sílvia que é capaz de correr todo o espectro de emoções na mesma frase musical.


Outro disco marcante deste ano foi o que Camané dedicou ao fado de Alfredo Marceneiro. As grandes criações de Mestre Marceneiro sempre estiveram presentes ao longo da carreira discográfica do Camané, através do recurso a novos poemas para recriar os fados tradicionais. Mas desta vez o Camané decidiu ir à pureza da fonte e o resultado é irrepreensível: o domínio da voz, a contenção emotiva, o acompanhamento e a produção de luxo, e sobretudo o canto, a maneira de cantar, a forma encantatória como Camané nunca abdica da sua “voz”, nem do seu vozeirão poderoso, mas consegue estabelecer interpretações que remetem e evocam a própria maneira de cantar, intensa mas ao mesmo tempo portadora de uma certa fragilidade, de Alfredo Marceneiro.


Já perto do final do ano, descobri numa viagem de automóvel de algumas horas, a voz de Raquel Tavares. Comprei numa área de serviço o disco que gravou recentemente dedicado ao repertório mais romântico de Roberto Carlos, e que delícia de disco, uma excelente companhia para a condução. Nunca tinha prestado a devida atenção à voz de Raquel Tavares, perdi-a na avalanche de novas fadistas, e gostei muito. Antes de comprar o cd apenas tinha ouvido uma das suas canções a passar na rádio, e antes de saber de quem era a voz, prendeu-me a atenção o facto de, por vezes, sobretudo nas frases mais tranquilas e menos “esforçadas”, o seu timbre ter um registo que me parecia próximo do de Amália Rodrigues.

Estes foram os discos e as músicas, mas para ilustrar este ano musical e ficar aí a pulsar na rede, sobretudo nesta época do ano que, para além de festiva, tem sempre um certo sabor, ainda que doce e suave, a tristeza e a melancolia, escolhi uma canção que é já de 2015, foi lançada em finais de 2016, mas eu só a descobri, e com que intensidade, já no início deste ano. É do David Fonseca, do disco Futuro Eu, e diz tudo sobre o que é a música e o papel que ela representa para mim: “A vida leva quase tudo, Fica só uma canção no mundo, E é para ti.” É para ti, mãe.


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