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o zumbido
rosas
innersmile
Estou na sala da câmara gama a fazer um exame. Injectaram-me o contraste radioactivo no braço, e agora estou deitado, em decúbito dorsal, imóvel, enquanto o exame está a ser feito. A luz na sala é fraca e baça. Há um som de ininterrupto zumbido, feito pelo equipamento. Ao longe, ouço as vozes das técnicas que estão a fazer o exame, numa sala fechada com porta de correr e uma enorme janela de vidro. O zunir contínuo e monótono. De repente vejo à minha frente o recorte do Nilo, com as suas ilhas, junto à cidade de Assuão. Como se fosse um olhar de pássaro ou a câmara de um drone. Vem-me à cabeça a ideia improvável de, ao longo da Cornicha, as margens do rio serem praias de areia dourada onde há pessoas estendidas a apanhar sol. Logo a seguir, atravesso o rio num barco, vindo da Ilha Elefantina, onde visitei o jardim botânico. À minha frente, no alto da colina, a imponência rosada do hotel Old Cataract. Depois, novamente o zumbido do equipamento. A mesma luz baça e cinzenta.

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Que orgulho imenso que tenho da pessoa que és! :')
Nunca deixes que zumbidos e enxames te afastem dos lugares onde queres ir e deves, realmente, estar.
Um beijo

Eu tento, madrinha. Tento manter sempre a vastidão interior das paisagens sonhadas.

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