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quand on a 17 ans, loving vincent
rosas
innersmile
Amei o filme de André Téchiné Quand on a 17 ans. É que não há mesmo outra maneira de o dizer. Claro, tratar-se de uma história da descoberta da homossexualidade de dois adolescentes problemáticos, ajuda, mas o filme é sobretudo a sensibilidade de Téchiné para apanhar a verdade das personagens, a subtileza do seu conflito. O que achei que mais me prendeu foi o modo como o realizador constrói uma narrativa do quotidiano, como cada um dos personagens é aquilo que é a sua vida, a sua vida familiar, a escolar, o modo como se adapta, ou não, ao meio social. Ao mesmo tempo que os resgata aos clichés e aos lugares comuns com que é comum representar a juventude. É nesses gestos do dia a dia, que os personagens desempenham com a verdade com que cada um de nós leva a sua vida, que repousa a beleza do filme. E de certa maneira, é como se cada um dos personagens, todos eles, e não apenas os protagonistas, fizesse sempre e apenas aquilo que está coerente com a sua vida. É esta verdade que dá estofo a Damien e Tomas (brilhantes Kacey Mottet Klein e Corentin Fila) e dá espessura e veracidade ao filme. Acreditamos em todos eles, e por isso durante duas horas o cinema faz o seu milagre: conta-nos uma história da vida.

Vi também Loving Vincent, realizado por Dorota Kobiela e Hugh Welchman, e que é, como se sabe, um prodígio de técnica no campo do cinema de animação. Uma equipa de 100 artistas dedicou-se durante seis anos a pintar à mão esta história, de forma a que as imagens do filme sejam uma espécie de transcrição em movimento dos quadros mas sobretudo do estilo de pintura de Van Gogh. O resultado é de facto deslumbrante. Acresce que o filme tem a preocupação de nos apresentar uma história, que se passa pouco tempo depois da morte do pintor, e que é quase uma investigação “policial” às circunstâncias da sua morte. Ainda que, do ponto de vista narrativo, o filme não seja de uma solidez a toda prova, é suficientemente envolvente para nos despertar o interesse, ao mesmo tempo que nos embala na extraordinária experiência visual e pictórica.
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