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o factor humano
rosas
innersmile


O Graham Greene costumava dizer que escrevia dois tipos de livros: os sérios e os de entretenimento, neste caso normalmente de espionagem. Supostamente, O Factor Humano seria um destes últimos. Mas mesmo neste caso, trata-se de GG, e ao seu melhor. O pessimismo, o insight para o que de melhor e pior tem o espírito humano, o cinismo de pendor humanista, o humor e o desencanto. O Factor Humano foi dos últimos romances escritos por GG. Mas é tão bom como os seus melhores. O ambiente de fundo é o da guerra fria, tendo em memória o escândalo dos espiões ingleses que fugiram para a União Soviética, como Kim Philby e Guy Burgess, entre outros, e o tabuleiro de xadrez é, curiosamente, a África Austral, em particular a África do Sul do apartheid e o recém-independente Moçambique.

Os espiões de GG são a antítese de James Bond, que, de resto, é referido no livro. São burocratas, as suas vidas são obscuras e desinteressantes, têm preocupações domésticas e abusam do álcool. E normalmente, traem por amor ou por imperativo moral. Maurice Castle é uma grande personagem, totalmente "greeneano".

Já aqui escrevi muitas vezes que o GG foi um dos primeiros escritores que li, ainda antes dos 20 anos. Na época, era um 'household name', os seus livros eram publicados em edições de bolso, baratas, e muitas casas havia pelo menos um livro seu, mesmo naquelas que não possuíam grandes bibliotecas. Depois estive décadas sem ler nenhum livro seu, e até cheguei a pensar que ele se calhar não seria assim tão bom escritor, ou pelo menos seria um escritor datado e ultrapassado. Poucos anos atrás, decidi reler um dos seus livros antigos que tinha aqui em casa, acho que foi O Americano Tranquilo, e foi um novo coup de foudre. Acho que neste momento da minha vida, é o escritor com o qual mais me identifico enquanto leitor.

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